sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sala de espera, espera, espera...

Sala de espera. De médico. 10 pessoas. Além das revistas antigas, Veja e Caras, obviamente, um tal de Gabriel. Uns 5 anos. Vai dum lado pro outro, vem, te olha, faz careta. Fala, grita, chora. O pai, fica jogando no celular, com uma música talvez mais irritante que o filho. A mãe, fica falando “Gabriel... Gabriel.... Não passa disso.

A secretária/recepcionista, provavelmente mais impaciente que eu, entregou à mãe do Gabiru um brinquedo. Na minha época o nome era tela mágica, ou algo assim. Você rabisca/escreve/desenha e apaga com facilidade. Antes de pegar, o garoto já gritava “e meu, é meu, é meu...”. Os pais: “não, é emprestado, ... não, é emprestado”. E o moleque gritando “é meu!”. Santo saco.

Nem brincou, mas não queria devolver. A mãe foi no banheiro, o filhotinho foi atrás e desandou a bater na porta. Enchendo o saco! O pai. Ah, o pai nem deu um pause no game do celular, apenas falava: “Gabriel, ... Gabriel...”. E a bateção continuava. Isso em 15 minutos. Enfim foi chamado pra consulta. O Gabriel, eu continuei esperando. Deve ter passado na frente de muita gente, mas ninguém reclamou. Tava todo mundo querendo ele fora dali o mais rápido possível. Da sala de espera, vem o choro de dentro do consultório. Nem de lá o danado dá sossego. Pelo menos a música do jogo do celular parou, ficamos só com a voz da Ana Maria Braga na TV.

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Antes da TV tava lendo, pensando. Aí durante a bateção na porta comecei a escrever, pra não gritar com os pais da criança. Um desabafo silencioso. Aí percebi a TV e a Ana Maria, sem escutar muito bem que, ainda bem, estava baixo. Mas vi várias sandálias e o pessoal que as desenhava, explicando o processo de produção. Primeiro os caras desenhom no papel, depois fazem uma maquete na cartolina. Aí começa a produção. A alergia, meu motivo de vivenciar esse momento, continua a mesma. Mas saí mais culto, sabendo como se produz uma sandália feminina. Viva a TV

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Pela impaciência com o Gabriel, podem pensar que sou assim com todas as crianças. Maldade de vocês. Acho criança um negócio lindo. Dos outros, claro. Agora mesmo, ainda esperando, tem duas gatinhas, também de uns cinco anos cada, que estão brincando com a tela mágica deixada na cadeira pelo Gabiru. Acabaram de se conhecer e estão DIVIDINDO o brinquedo. Numa amostragem (sem qualquer critério) de 3 crianças, duas são legais. Culpa dos pais que uma não seja.

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Eu achava que já sabia tudo de sandálias mas a matéria continua. Acho que nem de produção de sandálias eu sei mais...

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Aparece o querido Gabriel novamente. Quer tomar das meninas a tela mágica. Lá vai ele: “é meu!, é meu!” e puxa o brinquedo. O pai reclama. Ele chora, deita no chão. Volta pra tomar. O pai pergunta a uma das garotinhas (num tom bem incisivo): “Num quer jogar mais não?!!”. A garotinha nem responde, mas passa pro Gabriel o brinquedo. Meio minuto e ele solta no chão a tela mágica. Sorte do pai que não sou de violência, e mais sorte ainda que é bem maior do que eu.

Mentira. Se fosse o contrário, eu mais forte, nada aconteceria...

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Mas criança é realmente legal. Até o Gabriel, depois de deixar no chão o brinquedo que foi apanhado pela garotinha, ficou lá assistindo ela desenhando. Quando saiu pra fazer um exame, ainda falou com elas “eu já estou voltando tá?”. Ou ele já é malandro, e tá pensando no futuro, ou ainda tem salvação. Os pais é que não têm mais jeito...

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Mudando (um pouco) de assunto. Porra, uma hora sentado nessa merda e não sou atendido. Tinha desistido do médico e vim por acaso. Isso porque tava marcado desde dezembro (hoje é fevereiro), desmarcaram e marcaram de novo. Daqui a pouco levanto e vou embora.

Pura pressão. Já esperei uma hora, agora fico até o fim, quero ver quem é esse médico difícil de encontrar. Vai que resolve a porra da minha alergia?

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Carái. Pra que marcar oito e meia se vai atender às 10 horas? Tá igual uns médicos de São Paulo, esses especialistas em coração. Marcam pra uma da tarde e atendem às seis da noite.

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Pelo menos serviu pra escrever. Bom tempo que não fazia isso. Mas já escrevi e não fui atendido...

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Entro na consulta. Solução é passar a faca no nariz. O danado é grande, mas por dentro é todo embolado. E ainda só resolve problema de respiração, a alergia só saberei depois de outras horas de espera...

Cotidiano

Casa lotérica em dia dia de "Bolsa Família"

15.02.08 - Maré, Rio de Janeiro





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

é... pois é...

o meu desejo primeiro e - de tão guardado e adiado - abandonado, era escrever uma exaltação do carnaval como momento de encontro entre diversas galeras, classes, origens, posições e opiniões num mesmo intuito de beijar, pular, cantar e beber até cair...

pensava ainda em dar uma cutucada no nosso ensandecido-filho-da-puta prefeito, abarcando nessa saraivada todas as secretarias que contribuíram para uma cidade caótica e fétida, com a proliferação de engarrafamentos, a incrível falta de organização da cidade e a repetida e já até esperada falta de banheiros públicos...

sem falar no descaso para com o carnaval de rua da Rio Branco, onde os tradicionais Cacique de Ramos, Bafo da Onça, Embaixadores da Folia, Boêmios do Irajá, e o fabuloso Cordão do Bola Preta, mobilizaram e arrastaram milhares de foliões sem um enfeitezinho sequer nos postes e nas calçadas... apenas uma reles arquibancada e palanques de tapumes de madeira...

... pensei ainda em comentar o desfile das superescolas no sambódromo, de como não dá mais pra confiar nessa apuração da Liesa, do bicheiro de honra de Nilópolis em carreata sobre carro dos bombeiros, sobre como é um absurdo e injusto o super investimento da prefeitura da cidade nessa festa em detrimento do abandono e descaso com o carnaval de rua, esse sim, fiel aos ditames momescos, irreverente, profano, sacana e feito por pessoas normais de carne e osso, sem silicone, botox, aminoácidos, lipoaspirações e outras doideiras mais...

mas penso que esses temas acima já foram muito explorados nos textos pós-carnaval, nas famigeradas cartas de leitores e nas manchetes da mídia carioca, que, diga-se de passagem, resolveu descer a madeira em nosso lamentável alcaide... aliás, outro tema que instigou minha verve...

mas não... venho tratar de outro tema... surgido nas cartas de leitores dos jornais, nos botequins, na volta ao trabalho e na boca de amigos... tema que, aliás, compete com os outros acima como dos mais recorrentes e repetidos do período...

ainda não sabe????? nem um chute?????? bom...

o tema em questão é o papo de elevador e portaria mais falado no momento, mais até que considerações climáticas: a eterna ladainha dos workaholics, patrões, empresários de setores que não lucram com a festa e rabugentos em geral, dizendo que agora (até que enfim, proclamam altissonantes) o ano começou...

tudo bem... faz até sentido... mas o que me irrita é a expressão austera, moralista, como quem reprova tal comportamento e já vem com a legenda: é por isso que esse país não vai pra frente...

ê cambada!!!!

reconheço logo de onde vêm tais papos chatos: de aposentados sem assunto que vivem de olho no que poderia ter sido, mas não foi; de pessoas que odeiam ser brasileiras, veneram o trabalho e desconhecem um troço chamado mais-valia; de amigos marxistas que esquecem o que é a mais-valia, embriagados que ficam na compulsão de reclamar e reclamar e reclamar; de amigos marxistas que querem começar a revolução, mas antes precisam que o carnaval de Santa Teresa acabe; dos que não têm vida própria e fazem do trabalho sua própria vida; dentre outros muquiranas e péla-sacos de plantão...

pois é, o ano para essa galera nunca começa porque não acaba...

explico: porque esses digníssimos desgraçados reclamam sem freio o ano inteiro...

do Natal, por ser uma festa fútil e comercial que perdeu seu sentido religioso verdadeiro; do futebol por, junto com o carnaval ser o ópio do povo; dos feriados, porque impedem o nosso desenvolvimento; do calor; do frio; de ver tudo como conseqüência direta do aquecimento global enquanto, muitos, nada fazem para impedi-lo... dentre diversas outras motivações mesquinhas...

e vou parar por aqui porque reclamar me dá uma sede danada!!!!!

Bodão

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Diálogos

Conversavam mãe e filha.

- Filha, ligou um tal de Davi pra você à tarde.
- Hum.
- Quem é?
- Deve ser o Davi, amigo meu do colégio.
- Que você mal conhece e já sai dando o telefone?
- Mãe! Davi é gordo, negro...
- [a mãe assustada, como se aquilo fosse surpreendente e nada tivesse a ver com os 18 anos anteriores]. E daí?
- E gay. Tem nada a ver.


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Uma moça, dia desses, pegou uma dessas vans que saem da Zona Sul em direção à Zona Norte da cidade. O ponto final da van é em uma favela do Rio de Janeiro, que chamaremos de Vale das Pedrinhas. Assim que entrou na van, seu celular tocou:

- Alô. Não...tou indo pro trabalho, chegando lá eu ligo.

Na van, além dela, só estava o cobrador. Era impossível que ele não escutasse o diálogo. Ao vê-la desligar o telefone, ele olhou surpreso e perguntou:

- Você está indo trabalhar?
- Estou.
- Onde?
- No Vale das Pedrinhas.
- Hum. Normalmente é o contrário né? Quem mora lá é que trabalha aqui. Não vejo muito gente que mora aqui trabalhar lá.
- Tem razão.
- Você mora por aqui mesmo? Em Copacabana?
- Copacabana é um pouco antes. Moro aqui pelo Catete.
- Você não quis morar em Copacabana?
- Eu gosto do Catete. É um bairro que tem tudo que eu preciso.
- Mas, eu acho que se eu morasse aqui eu não ia querer trabalhar lá no Vale das Pedrinhas.
- É, entendo.
- Mas, ao mesmo tempo acho que ia sentir falta de umas paradas que tem lá. Tipo, o baile... - E pôs-se a falar dessas coisas que só existem no nosso lugar...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Dinheiro da CIA para FHC

Texto de Sebastião Nery publicado na Tribuna da Imprensa de 9 de fevereiro de 2008

"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap".

Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.

Fundação Ford
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos.

E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA
Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias.

Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.

Quem pagou
Acaba de chegar às livrarias brasileiras um livro interessantíssimo, indispensável, que tira a máscara da Fundação Ford e, com ela, a de Fernando Henrique e muita gente mais: "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura", da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro).

Quem "pagava a conta" era a CIA, quem pagou os 145 mil dólares (e os outros) entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique foi a CIA. Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas:
"Consistente e fascinante" ("The Washington Post"). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" ("Spectator"). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" ("The Times").

Milhões de dólares
1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).

2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).

3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).

FHC facinho
4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).

5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).

6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Manual do Jornalismo Tapioca

Entre um bloco e outro; depois do Quizomba e antes do Bafo de Onça; algumas latinhas depois; eis que posto nesse blog abandonado por conta das folias momescas.
Recebi de um amigo, direto do blog do Nassif (http://www.projetobr.com.br/blog/5.html) que anda curtindo o carnaval de Pernambuco, (lugar que pretendo estar ano que vem).

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Critérios de noticiabilidade do Jornalismo Tapioca

1. Proximidade: pense numa "crise" que pode estar mais próxima. Por exemplo: esqueça a febre amarela, que já não rende notícia. Vá atrás, mesmo no outro lado do mundo, de tapiocas, diárias, cartões corporativos, etc.

2. Relevância: Mostre que as questões mais banais e prosaicas podem ser tratadas como se fossem relevantes. Afinal, não é dado ao jornalismo tapioca levar o leitor a pensar em coisas realmente sérias.

3. Curiosidade: não tenha vergonha de fazer coberturas curiosas. Por exemplo, faça seriamente (e de preferência com ar grave) perguntas em coletivas sobre, digamos, o preço das tapiocas.

4. Interesse Humano: dramatize se necessário, para tentar vender o peixe. Por exemplo, sugira que uma visita protocolar de um ministro a outro país pode esconder coisas graves, muito graves, graves mesmo, talvez mesmo gravíssimas. Não tenha medo do exagero.

5. Descobertas na Ciência e Inovação tecnológica: entre a complexidade da reativação de um parque industrial militar e a composição da tapioca, fique com o último se assim o determinar o editor.

Obs. Não esqueça de praticar o jornalismo crítico, cuja matriz popular é realmente a inteligência criadora das vizinhas faladeiras.


terça-feira, 29 de janeiro de 2008

sei lá não sei entende

Nada como uma bela cutucada pra fazer as letras e idéias e humores reaparecerem... Valeu Clê...

Confesso que ando meio sem assunto. Não! Esse texto não versa sobre esse lugar comum dos cronistas. Até porque não tenho propriamente obrigação de escrever. Escrevo, aqui, por prazer, por diversão. E é exatamente sobre isso que escrevo, aqui.

Temas interessantes não faltam... lamentar o despejo do Bola Preta, protestar contra as recentes reportagens do Fantástico, especialmente aquela sobre uma pesquisa para mapear o cérebro de adolescentes infratores, comentar o descaso do prefeito da cidade para com o carnaval de rua, falar mal do BBB, ou de como é estranho fazer 35 anos, deixar fluir poemas bêbados, enaltecer o bom começo rubro-negro no campeonato carioca... Enfim...

Mas, sei lá...

Tô a fim de ficar quieto e deixar pra explodir no carnaval.

E pra não ficar nesse blá blá blá insólito e insosso, uma poesia:




o tempo é curto não há tempo

não há tempo e nada
faz sentido

nada faz sentido e o tempo é curto

― não há tempo para dar sentido
nisso tudo que acontece
no pouco tempo em que estou vivo...

o tempo é curto não há tempo

não há tempo e nada
faz sentido

nada faz sentido e o tempo é curto

― não há tempo para dar sentido
nisso tudo que acontece
no pouco tempo em que estou vivo
e permaneço inerte...

o tempo é curto

não há tempo não há tempo

nada faz sentido nada
faz sentido e o tempo

é curto

― não há tempo para dar sentido nisso tudo que acontece no pouco tempo em que estou vivo e permaneço

inerte.

Já que ninguém escreve nada...

Esse blog anda caindo das pernas. O surpreendente é que mesmo assim ainda temos leitores, visto que este contador aqui do lado não pára. Ok. Não são 100 leitores por dia, nem 10. Digamos que sejam 3. Fato é, que todo dia alguém entra aqui. Ok. Podem ser os próprios autores. Mas, fiquei pensando: Faveleiro não entra mesmo, porque não quer nada; Bodão se entrasse, escreveria; Capilo nem entra no blog, porque vive ocupado com seu outro blog e sua minúscula cidade onde sonha ser prefeito ou secretário de cultura, quem sabe. Daí, conclui que há pelo menos duas pessoas que acessam esse blog. Pessoas queridas, este post é pra vocês.

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Há uns dias atrás eu falava em ausência. Lamentava a ausência. Chorava a ausência. Nada como encontrar a ausência e ver que ela não tem nada demais. Pior, tá feio, gordo, mal cuidado e pegando barangas. Para a ausência bem vivida e bem passada, Carlos Drummond de Andrade:

No mármore de tua bunda

No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio.
Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence.
Tu a levaste contigo.


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Mas, nem só de ausências e lamentações se vive a vida. Há também o riso, a paródia, a alegria e a cachaça, é claro. Estamos há poucos dias das celebrações momescas. Sendo assim, deixemos de lado a vergonha, as incertezas, a dignidade (aqueles que ainda tem, claro) e nos juntemos a Momo na festança da carne e da folia.

MÁSCARA NEGRA
(Zé Keti-Pereira Mattos, 1966)
Quanto riso oh quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
Arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Está fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele pierrô
Que te abraçou e te beijou meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

O partido da imprensa e o prefeito

Eu adoraria escrever sobre o assunto, mas li artigo do Gilson Caroni na Carta Maior sobre o tema e desanimei. Qualquer coisa que escrevesse seria influenciado pelo que li. Trata-se da relação entre o maior partido brasileiro: Organizações Globo e o prefeito do Rio de Janeiro, o DEMOcrata César Maia. Pra quem não sabe, César anda ressentido com O Globo que anda noticiando e muito o descontentamento da população carioca com o absoluto descaso do prefeito. A contenda mais recente foi a que diz respeito ao boicote ao IPTU organizado pela população. O Globo deu página inteira hoje, com um box que elogiava as formas de organização e protesto da sociedade civil!!!! Só acreditei porque li, se tivessem me contado diria que era mentira, pois não é coerente com a conduta do jornal que geralmente classifica como baderneiros e criminosos os movimentos sociais brasileiros.
Transcrevo abaixo um trecho e logo depois, o link.

Após anos de uma gestão de total descaso com a saúde e educação públicas, o prefeito, acuado, contra-atacou hoje em seu "ex-blog", boletim eletrônico distribuído diariamente: "Os estudiosos dizem que a "doença infantil do jornalismo" é não entender qual seu campo de atuação e sua função, e atuar como um partido político. Ou seja, disputando poder pelo poder, apoiando ou denegrindo. O Globo atua como um partido político no Rio. Não aceita um governante com autonomia e independência. Gosta de governantes submissos, reativos à suas matérias, que se sentem à mesa com intimidade"

Há coisas que só acontecem em brigas de quadrilha ou durante separações litigiosas. O que temos acima é algo inédito e impensável: o DEM denuncia o PIG (Partido da Imprensa Golpista). Ainda que, cautelosamente, lhe defina como agremiação regional. Que as arestas serão aparadas não há dúvidas. Mas que a partidarização da imprensa foi explicada didaticamente, ninguém pode negar. E por um aliado fez dela sua cabeça-de-ponte em várias ações entre amigos. Só podia ser da Globo....

cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14782

Esbregue arriscado

Explico porque do arriscado: envolve pessoas mui próximas e cientes desse presente veículo inútil (graças a deus)de devaneios, urros, esculachos e gargalhadas...

Outro dia desses, obedecendo ao rotineiro intimato conjugal do 'vem pra casa AGORA!', sem nenhuma conotação erótica, ainda que de possível negociação, adentrei meu lar e liguei a tv. Estava passando BBBunda... Justamente no momento em que as novas bestas de plantão estavam acomodadas defronte ao oráculo de plasma de onde relincha nosso repórter metido a poeta, ex-marido de atriz-ladra-mulher-que ama-demais,nosso irrefutável porta-voz da mediocridade, Pedro Bial.

Ele, querendo fazer uma gracinha e tirar uma onda de letrado, questionou a bicha-barbuda-psiquiatra-chato-pra-caralho sobre a viadagem transmitida em rede nacional, em que o pederasta alienista denominava cada idiota da casa com o nome de um deus grego mitológico.

Ah, Bial...

eis que nosso pretenso poeta-apresentador-pau-no-cu-do-BBBunda nos agraciou com uma pérola digna de sua imbecilidade global arrogante.

Querendo demostrar ilustração, disse ao doutor peroba que Dionísio era a tradução romana para Apolo.

PUTA QUE PARIU!!!!!

Se errasse somente a língua traduzida eu perdoava, mas isso não!!!!

Bem, pra quem não sabe, Dionísio é o correspondente GREGO para Baco, este sim, romano, deus do vinho e da orgia, sentido aproximado de Dionísio para a Grécia. Apolo, deus da beleza e retidão, significa na mitologia GREGA justamente seu oposto.

Ah, Bial...

Pior: comentei essa estupidez para duas colegas de trabalho, uma psicóloga e outra pedagoga, profissões nomeadas por radicais gregos,diga-se de passagem, e estas ficaram me olhando como quem espera o desfecho da piada, sem entender patavina.

Obviamente não riram nem perceberam a magnitude da gafe.

Sacanagem, não...

Olha, cá pra nós, penso que pessoas com tais formações, filiadas às ditas Ciências Humanas, assim como o pretenso poeta-apresentador-pau-no-cu-do-BBBunda, repleto de assessores subservientes, teriam, minimamente, a obrigação de perceber algum desses equívocos.

Mas não.

A educação está uma merda!

A televisão fede!

E a única saída é contar essas histórias escrotas e rir pra não chorar...

Isto é...

Se é que vocês me entenderam...