segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

das minhas dores

mertiolathe no joelho ralado.
bola na cara durante o futebol.
deslocamento do menisco.
picada de agulha para injetar o diazepan antes da endoscopia.
endoscopia.

manicure descuidada e um bife tirado.
soco no estômago.
joelho na quina da cama.
cabeçada no irmão.
furo novo na orelha.
depilação com cera quente.
luxação no braço.
dedo quebrado.

lembro das minhas dores e fico certa de que nada se compara à dor de passar os dias batendo cabeça tentando esquecer a dor de estar aqui enquanto você está aí.

se eu soubesse tinha pedido anestesia.

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um alô e toda minha devoção para quem inventou a mensagem via celular: vencendo distâncias.

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eu tenho dois primos mudos. um dele é bem sagaz. leva a vida numa boa. e coisa que aprendi com ele: problema não é ser mudo. é que todos os outros escutam.

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se dona maria lícia de araujo estivesse entre vocês faria hoje 47 anos. sorte dessa distinta senhora que não viveu para ver isso acontecer.

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o capeta me deu alta. nos encontramos em outros butecos por aí.


clementina, dita marianna.

joão pessoa, 21 dez 2009

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

eu queria escrever aqui. mas meu vôo sai em uma hora e minha mala não fecha. então deixo vocês com andrelima, o segundo melhor colo depois de capilo no meio da teixeira (com minhas lágrimas no ombro):

"felicidade é para poucos.
a nós, é reservada a cerveja e o bom papo. e isso deveria ser suficiente".

vou ali, tomar banho de água quente e comer queijo coalho. dia 26 tou aqui. te esperando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

e se depois, amanha nao sobrar nem hoje
e se hoje, pensando bem, ja eh amanha
de manha
pior que ontem...
e se a falta de acento e crases fassam uma cedilha circunflexa no meu peito
e se nada eh direito e tudo eh torto
e se eu estiver morto...
e se nao sobrar nem verbos que traduzam e comuniquem minha partida...
quem vai saber que eu fui....

precavido que sou, vos aviso:
jah estou indo...

porque vontade mesmo
daquelas que injeta sangue nas pernas e vontade de correr

de viver
jah nao tenho...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009



improvável casal.

espremedores fazem chorar as laranjas .

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ferreira gullar vem que vem com tudo

Cantada

Você é mais bonita que uma bola prateada
de papel de cigarro
Você é mais bonita que uma poça dágua
límpida
num lugar escondido
Você é mais bonita que uma zebra
que um filhote de onça
que um Boeing 707 em pleno ar
Você é mais bonita que um jardim florido
em frente ao mar em Ipanema
Você é mais bonita que uma refinaria da Petrobrás
de noite
mais bonita que Ursula Andress
que o Palácio da Alvorada
mais bonita que a alvorada
que o mar azul-safira
da República Dominicana

Olha,
você é tão bonita quanto o Rio de Janeiro
em maio
e quase tão bonita
quanto a Revolução Cubana

*sei que o poema já passou por aqui. leia de novo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

você já se boicotou hoje?

eu tenho pensado muito numa tendência que os seres humanos têm ao auto-boicote. ainda não desenvolvi uma boa teoria sobre o tema, mas tenho pensado muito e isso já é o suficiente pra escrever aqui.

primeiro é preciso distinguir o auto-boicote da ausência de sentimento de auto-preservação (eu estou bem achando que esses hífens não existem, mas rola uma preguiça de olhar no dicionár...google). porque o sentimento de auto-preservação, eu diria, é menos profundo. se eu não o tenho, eu encho a cara entre meus colegas de trabalho. agora, se eu me auto-boicoto, eu encho a cara entre meus colegas de trabalho e elogio a bunda da mulher do meu chefe para eles. entende? se não me auto-preservo eu me exponho, agora se eu me boicoto, dou as razões para a demissão por justa causa sem aviso prévio. e além disso, o sentimento de auto-preservação está muito ligado à exposição. o auto-boicote é isso e mais um pouco. exemplo: me boicoto profissionalmente quando não sou competitivo, quando não puxo saco ou quando acho que vou chegar a algum lugar sendo simpática com meus colegas, nem preciso me expor pra me prejudicar (análise feita em um cenário ideal: empresa capitalista padrão).

feita essa consideração inicial e primordial, vamos aos meus devaneios. o que eu acho é que todos, em algum lugar, temos uma tendência ao auto-boicote. agora, isso pode se desenvolver ou não. cabe a nós não criarmos as condições para que ele não se desenvolva e caso aconteça, nos previnirmos de nós mesmos - é como uma doença sem cura, onde apenas amenizamos efeitos.

mas nem tudo é tristeza. há pessoas que trabalham essa tendência e transformam o auto-boicote em um talento. não precisam de concorrência ou disputa, elas mesmas são capazes demonstrar sua total incapidade no que for que a possa promover em qualquer sentido. fazem sua própria propaganda negativa de uma maneira invejável. nem é preciso observar seus defeitos (fofoca nunca) ou tentar copiar suas ideias: simplesmente não há ideias e os defeitos/problemas saltam aos olhos nos momentos mais inoportunos - não que sejam cheios de defeitos, só que dão o azar de o vacilo mais grave ocorrer no pior momento (como o cara que conta uma piada de aleijado no primeiro encontro para a menina que tem um pai coxo).

meu dilema é se aviso aos amigos e demais chegados quando estão no ápice de seu auto-boicote. dúvida cruel. dúvida também de quando vou parar de me auto-boicotar orgulhosa - pelo menos já tenho consciência do processo. muitas dúvidas... porque, muito louco, o auto-boicote pode ter lá seus prazeres.

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verdades da vida que você precisa saber:

1. sinceridade é algo pra ser usado com parcimônia. todo esse papo de como é legal a sinceridade é hipocrisia no seu modo lenda urbana. não gaste a sua destruindo corações e mentes por aí.

2. se o que você faz, por mais legal que for, não for inteligível na sua fala e não puder ser compreendido por seus pares em 2 frases, então não é legal o que você faz - legal é aqui usado com o significado de: merece meu respeito e atenção.

3. coçar as costas é o carinho que vem depois de apertar as orelhas no top 10 dos carinhos que um ser humano pode fazer em outro.

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- pronto, já te dei 2 características minhas.
- falta uma.
- não sei o que pode ser.
- qualquer uma.
- me dá um tema.
- sexo.
- de manhã, antes do café.
- sem escovar os dentes?
- sem.

da série diálogos imaginários baseados em diálogos que realmente aconteceram e eu não tive a sacação na hora; ou diálogos imaginários baseados em diálogos que aconteceram, nos quais eu optei por não operar com sentimento de auto-preservação - nos imaginários eu penso em alternativas caso eu tivesse optado por me preservar.

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confuso né? mas o mundo é assim, gatinha...

gatinha?
gatinha?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

desabafo

estudar em excesso não está me fazendo bem. e não me refiro apenas ao fato de que minhas idas ao bar estão cada vez mais raras.

o problema é que tem me causado muita irritação. em alguns momentos raiva mesmo.

páginas e páginas dos clássicos sobre urbanização e tudo gira em torno do mesmo: o estado subsidia a idustrialização, abre rodovias, constrói portos, oferece incentivos. isso estimula a migração. a cidade cresce, vira metrópole e cadê o dinheiro pra dar de morar e comer a essa gente? tá nos portos, nas rodovias e nos incentivos. o que que faz com essa gente, então? paga salários mais baixos, que daí todos terão um salário. vamos socializar a pobreza. melhor muitos pobres e pouquíssimos ricos; do que muitos-muitos miseráveis, muitos pobre e pouquíssimos ricos.

mais páginas e páginas sobre cidadania e democratização. a lógica da urbanização permanece: políticas públicas, solidariedade e migalhas. sempre migalhas. me assusta a forma como não nos envergonha o fato de oferecermos a milhões de outros seres humanos apenas migalhas.

não raro leio parágrafos que me fazem arrepiar os pelos dos braços. de vergonha. outros me provocam uma lágrima tímida e solitária - falo sério. de raiva. muita raiva.

antes de abrir esse blog pra escrever, fechava o livro e imaginava que feliz seria o dia em que todos os trabalhadores acordassem e se recusassem a sair de suas moradas vagabundas, de seus colchões destruídos, de pegar ônibus lotado, de se dedicar à subserviência e simplesmente não fossem trabalhar. apenas um dia sem domésticas. sem garis. sem o cara da bilheteria das barcas. sem garçons. um dia em que todos os encanadores e pedreiros se recusassem a trabalhar. um dia sem operários - sim, porque ainda existem operários, por mais fantasioso que isso pareça. seria fantástico. não que eu queira que o mundo pare. mas sei lá, talvez isso funcionasse para que as pessoas enxergassem as coisas de maneira diferente.

e aí tá outra coisa que me dá raiva. muita raiva. eu vou passar por essa vida sem que esse dia chegue. pior, sem que esse quadro de uma maneira geral se altere. e isso não é pessimismo ou qualquer tipo de niilismo. é apenas a avaliação consciente da realidade. essa certeza, no entanto, em nada diminui minhas motivações para dedicar-me à transformação do cenário e também não abala de forma alguma uma outra certeza: a de que outro mundo é possível.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

É ÉQUIÇA!!!!!!!

não é sacanagem não...

comprei meu ingresso na sexta-feira por 100 reais, cadeira, e até entrar ainda tinha dúvidas se ele era verdadeiro ou falso

peguei um ônibus lotado de Niterói para o Maracanã

lá chegando me entupi de cerveja quente

enfrentei um empurra empurra brabo para entrar enquanto uma galera invadia o Maraca e a polícia baixava a porrada

fiquei com os olhos e a garganta ardendo pra caralho por causa do gás de pimenta

vi o primeiro tempo na ponta do pé enquanto fazia sombra com as mãos para tapar o sol que me cegava e fervia

o Flamengo joga mal para caralho e termina o primeiro tempo empatado

volta um pouco melhor no segundo, mas ainda me domina a sensação estranha que vai dar merda e no dia seguinte Michelle, Clementina, Capilo, Francisco Marcelo e outros iam me sacanear e rir da minha cara

a galera está tensa e empurra, xinga, grita, fede e se desespera

Flamengo está em terceiro

Aí vem o Angelim... e todo meu sofrimento é recompensado

quase choro de emoção

rezo uns 50 pai-nossos enquanto ainda ronda a sensação de que pode dar merda

me dá uma taquicardia sinistra e meu coração quase pula do peito

apito final

É HEXA!!!!!!!! PORRA!!!!!!!!

CERVEJA!!!!!!!!!!

(e para vocês que não sabem o que é isso, eu vou falar: ressaca de hexa é uma delícia!!!)





quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

já ia esquecendo...

... capilo lembrou. vale a pena:


Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.