Estou lendo - e descobrindo como é bom - o Febeapá do Stanislaw Ponte Preta. Lendo devagar pra demorar a acabar olivro, que é curto. Já lá pra depois da metade, um dos contos é o que dá título a esta postagem. Lendo lembrei logo da Clementina e das discussões nos bares e de alguns textos que a mesma já deixou por aqui.
A crônica conta a história de um padre de Goiânia que disse que a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo começara a chorar de desgôsto. "Foi o quanto bastou para que a plebe ignara ficasse mais assanhada que um galo velho no galinheiro das frangas. Uma grande romaria mandou-se para o local", com palavras do Stanislaw. Mas e aí?
Bom, aí Ponte Preta lembra de Eça de Queiroz, em A Relíquia, quando fala da "coragem de afirmar" ("o negócio é ter peito para afirmar, o resto pode deixar que a crendice popular funciona melhor do que o melhor dos 'public relations'"). Ainda não deu pra entender?
Seguinte, Clê sempre fala da notícia, da manchete, que mesmo mentirosa, vai ficar na mente das pessoas. Tá dito, tá dito, e é quase impossível voltar atrás. Ainda mais quando nem se tenta.
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Voltando pro livro, mas mudando de assunto. Mas muitas tiradas boas, que acho que até fora de contexto são interessantes. Vão algumas, aleatórias:
* dentro dele vários passageiros, inclusive, e muito principalmente, uma lourinha dessas carnudinhas, mas nem por isso menos enxutas, uma dessas assim que puxa vida...
* armada a traquitanda, êle olhou outra vez para a dieita, para a subversiva, para a frente, para trás e, ratificada a ausência da lei, aponhou uns potes e abriu [o camelô]
* não era nenhum estouro de mulher, mas também não era como aquela que o gato cheirou e cobriu de areia
* ao atingir a puberdade, o Batalha já era tão feio que - francamente - eu estava vendo a hora que êle ia acabar Presidente da República
* o Carlão era um cara meio trapalhão, dêsses que cruzam cabra com periscópio pra ver se arrumam um bode-espiatório
um desses sujeitos assim cujo complexo de inferioridade é tamanho que, ao se olhar no espelho, sente-se mal ao deparar sua própria imagem, or considerá-la superior ao original
* conheci um que o pessoal chegou a apelidar de Zé Complexo. Um dia ele me confessou que, ao sair de casa, tinha ímpetos de deixar o elevador pra lá e descer pela lixeira.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
terça-feira, 24 de novembro de 2009
mau-humor e ordem

mau-humorada de um jeito que dá medo.
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vão acabar com o mate e outras comidinhas na praia. é pouco higiênico, diz o prefeito. é canalhice, digo eu. choque de ordem. eu quero é choque de realidade. de justiça. de desordem. porque eu não sei vocês, mas eu estou convencida que a ordem não deu certo.
fecharam ainda o acesso à pista do santos dumont. os três absurdos do rio de janeiro: acabaram com cerveja no maracanã, vão acabar com a esfiha da praia e fecharam a pista do aeroporto. eu vou me mudar pra tocantins, porque aqui não é mais meu lugar. aqui é lugar de ordeiros. eu não sou assim. eu como esfiha e vomito a noite. eu bebo no maracanã para xingar o flamenguista no metrô. eu pedalo aos domingos até o santos dumont, deito na grama, leio minhas porcarias e volto pra tomar uma cerveja. viu? nada de ordem. nada certo. nada familiar. nada de higiênico. e bom caráter passou longe.
sorte dos bons costumes que eu não sou prefeita dessa cidade.
em junho de 2008, por ocasião de meus vinte poucos anos, numa bela manhã de sábado, ganhei um café da manhã (meio piquenique) lá na grama que fica na beira da pista do santos dumont (colocaria uma foto linda aqui mas sei lá se os envolvidos iam curtir). tinha vinho, nutella e morango. e tinha três bons amigos. eu diria os melhores, mas aí vão me chamar de pretensiosa.
cara, a pista do santos dumont sempre foi um dos meus lugares favoritos no rio. frustração da porra foi chegar lá ontem e vê-la fechada. ódio.
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só porque falei em ordem, um texto que escrevi há um tempo atrás (trechos, na verdade). a história aí tem um contexto próprio que cortei aqui. se quiser ler o original clique (não achei o link, então não clique) e não se incomode com a pouca coesão que verás abaixo:
Manifesto à desordem
meu assunto por enquanto é a desordem
o que se nega à fala
o que escapa ao acurado apuro do dizer
a borra
a sobra
a escória
a incúria
o não-caber ou talvez pior dizendo o que a linguagem não disse
por não dizer porque por mais que diga
(...) não é da linguagem dizer tudo
Trechos do poema Desordem, de Ferreira Gullar
o que se nega à fala
o que escapa ao acurado apuro do dizer
a borra
a sobra
a escória
a incúria
o não-caber ou talvez pior dizendo o que a linguagem não disse
por não dizer porque por mais que diga
(...) não é da linguagem dizer tudo
Trechos do poema Desordem, de Ferreira Gullar
Em tempos sombrios, como os nossos, questionar a ordem estabelecida não é nada aconselhável. À ordem e a seus condutores estão garantidos todo tipo de desmando. A ordem pode enganar, induzir, calar, roubar, oprimir. Mas a ordem não deve ser questionada, a pena de vir cobrar sua réplica com custos altos.
Ainda assim, surpreendentemente e corajosamente, há aqueles que questionam a ordem. Buscam introduzir a desordem, caminham pelos poros, pelos becos, e claro, mostram que há vida para além dela. Isso acontece em todo lugar.
No Brasil encontramos vários destes homens corajosos, constantemente chamados de invasores e baderneiros. Mundo a fora também não é difícil achá-los. Estão nos carros queimados na França e na Grécia, caminham juntos com os estadunidenses que não aprovam a política belicista de seu país e em muitas outras partes do planeta.
Os desordeiros sabem que no mundo da globalização, onde o fluxo de tudo – capital, tecnologia, informação – é muito rápido, as margens são largas e acomodam bastante gente. Os desordeiros se encantam com as possibilidades que a pós-modernidade oferece, como todo mundo, mas não conseguem deixar de enxergar que essas possibilidades não estão colocadas para todos. Onde se vê o luxo, os desordeiros veem exploração. Onde muitos enxergam oportunidades, os desordeiros veem desigualdade. Na telinha que entretém, veem ignorância. Na ordem aparente, os desordeiros enxergam a violência.
Por isso, constantemente, a ordem persegue os desordeiros. Porque eles não admitem a desigualdade, a violência, a exploração e a ignorância.
(...)
Os desordeiros não podem se calar, jamais. Porque a ordem traz consigo o absurdo. Absurdos cotidianos que tomam conta de nossas vidas, que nos imobilizam, enganam e oprimem. O que está colocado é a árdua tarefa de combatê-los. Os desordeiros não podem abrir mão da parte que lhes cabe, inflados pela capacidade que os seres humanos têm de edificar uma sociedade mais justa e livre.
sábado, 21 de novembro de 2009
ao som da rabeca
essa semana tava em recife, trabalhando. fui num forró rabecado, coisa rara de se achar (se vc não sabe o que é rabeca, dá um google aí). e se você nunca ouviu uma rabeca, aconselho a colocar na sua listinha de coisas importantes a fazer antes de morrer.
lá no forró não tinha cerveja nenhuma além de uma tal de nobel (é oxítona).

ruim. mas como era o que tinha, tomamos vinte delas e partimos pro hotel pra ouvir maria gadú na piscina e tomar skol.
_________
na ida, assisti "à procura de eric" no avião. é do ken loach (o que desencoraja um pouco). eu gostei.



pensa bem. o que te faz chorar? momentos ruins acabam em trauma e terapia. momentos bons acabam em choro e dor. c'est la vie.
__________
vi a quinta temporada completa de grey's anatomy. não que isso seja relevante, nem o fato de eu ter chorado horrores. é só pra dizer que não é que eu não chore. minhas lágrimas é que têm vontade própria. e o critério delas é meio duvidoso.
se eu pudesse, estipulava critérios próprios.
__________
na falta de talento para terminar a dissertação e para fugir do calor da casa nova tenho andado de bicicleta compulsivamente. há poucas coisas tão prazerosas na vida quanto andar de bicicleta. soltar a mão suada ao vento e ver a praia de botafogo passar na velocidade exata é uma coisa que me faz sorrir
__________
nada de interessante pra dizer. os últimos dias foram intensos. e isso resulta em muita escrita. mas nada que mereça um espaço privilegiado como esse. às vezes é preciso escrever para não ser lido. e escrevendo tanto para não ser lida, me deixa vazia para escrever aqui. c'est la vie.
lá no forró não tinha cerveja nenhuma além de uma tal de nobel (é oxítona).

ruim. mas como era o que tinha, tomamos vinte delas e partimos pro hotel pra ouvir maria gadú na piscina e tomar skol.
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na ida, assisti "à procura de eric" no avião. é do ken loach (o que desencoraja um pouco). eu gostei.



pensa bem. o que te faz chorar? momentos ruins acabam em trauma e terapia. momentos bons acabam em choro e dor. c'est la vie.
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vi a quinta temporada completa de grey's anatomy. não que isso seja relevante, nem o fato de eu ter chorado horrores. é só pra dizer que não é que eu não chore. minhas lágrimas é que têm vontade própria. e o critério delas é meio duvidoso.
se eu pudesse, estipulava critérios próprios.
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na falta de talento para terminar a dissertação e para fugir do calor da casa nova tenho andado de bicicleta compulsivamente. há poucas coisas tão prazerosas na vida quanto andar de bicicleta. soltar a mão suada ao vento e ver a praia de botafogo passar na velocidade exata é uma coisa que me faz sorrir
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nada de interessante pra dizer. os últimos dias foram intensos. e isso resulta em muita escrita. mas nada que mereça um espaço privilegiado como esse. às vezes é preciso escrever para não ser lido. e escrevendo tanto para não ser lida, me deixa vazia para escrever aqui. c'est la vie.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
da fase silenciosa

toda vez que eu me mudo, de alguma forma me lembro das mudanças anteriores. é prazeroso observar como mudam as fotos que faço questão de trazer comigo e colocar logo no quarto novo; como há mais livros e que eles se tornaram mais importantes que as roupas; como os sapatos só diminuem, além do necessário tempo para se adaptar ao novo espaço. na sexta andava irritada com o chuveiro novo, agora já me habituei. meus pés se acostumam aos poucos com o novo chão e daqui há uns dias consigo abrir a geladeira sem bater em nada.
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tem um poema do pessoa que não vou procurar agora mas que diz alguma coisa assim: "chove, mesmo assim faz silêncio, porque a chuva não faz ruído, senão sossego".
é exatamente a sensação que tenho: toca um música qualquer, o teclado, o ventilador, bate uma porta, a campanhia do vizinho... mas faz silêncio, porque nada disso é ruído, senão sossego.
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relação conflituosa com o fluminense, porque tá sensacional ver a escalada do time, só que a sobrevida dele implica na degola do Glorioso. no fundo, eu não queria que nenhum dos dois caísse. fluminense tem batido um bolão. e eu gosto é de futebol.
*como me reclamaram na última, pra ampliar a imagem é só clicar nela.
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
uma das coisas que ainda faltavam na minha nova residência era instalar o filtro de água. compramos uma torneira nova para a pia da cozinha, dessas que vem com o filtro integrado.
hoje acordei disposta a ajeitar as coisas e fui instalar o varal, para em seguida arrumar a torneira. tive problemas com o varal e o deixei para a tarde. ocorre que em frente ao meu prédio tem uma dessas galerias que tem de tudo, desde cortinas até jogo do bicho. rumei para a galeria em busca de um bombeiro que trocasse minha torneira. ocorre, que para meu azar, ao lado do meu prédio tem um bar (pausa para vocês acharem que em vez de ir procurar o bombeiro parei no bar e agora escrevo bêbada).
não, não parei. preciso mencionar o bar, para explicar a quem não o conhece, que é um local que frequento (meus amigos também) há muito tempo. o dono, um português teimoso, me trata com muito carinho. o garçom também é parceiro. enfim... desço eu e quando entro na galeria dou de cara com o tal português.
- minha filha, bom dia.
- opa, seu fulano.
- não foi trabalhar?
- nada. estou ajeitando umas coisas. vim aqui procurar um bombeiro para trocar uma torneira.
- ah, mas não precisa. vão querer te tirar aí 50 reais. faço isso pra você.
- é que eu quero fazer logo. não precisa se incomodar.
- faço agora.
e saímos os dois direto pro meu apartamento. perguntei se não ia precisar de ferramentas. "seu porteiro, conheço, é o fulano. pego uma chave com ele". e assim foi. pegamos a chave com o porteiro e subimos.
quando chegamos na minha cozinha, novinha, limpinha, com eletrodomésticos novinhos, o português procurou o registro, claro. porque para se trocar uma torneira é preciso fechar o registro. só que o registro estava sem a cabecinha. sabe aquela cabeça de torneira? ele não tem. o cretino do outro proprietário só pode ter arrancado e enfiado no **.
diante do problema, o português começou a tentar fechar o registro com a chave ou com um alicate. ele nem se mexeu.
pensei: ele vai levantar, vai embora, eu vou na galeria e perco 50 reais para um bombeiro que vai dar jeito. mas não. o português é teimoso. qual não foi minha surpresa quando ele suando horrores, levantou e me disse: vamos fazer sem fechar mesmo, só preciso de um pano para segurar a água. oi??? até onde eu sei pano não apara água. quem conhece o velho vai entender melhor, mas eu não tinha como dizer não, não vai fazer. ele já foi pegando um pano, encostou a porta que dá pra sala e começou a folgar a torneira. tentei, com a voz trêmula, dizer que não. mas nada. minha gente, se vocês nunca viram uma cena dessas, nunca queiram ver. quando o velho tirou a torneira foi um jato de água que eu vi projetado na minha parede e em seguida no meu fogão, geladeira, teto, armários, que me deu vontade de chorar.
como era de se esperar, o pano não aparou porra nenhuma. e quando ele conseguiu, com o dedo, segurar o jato e encaixar a torneira nova, cadê que a danada entrava? nada. devolve essa e recoloca a velha. desespero. ódio. calor. preguiça. vontade de deitar na minha cama e pedir pro mundo dá uma paradinha enquanto eu me preparo pra vida.
foi aí, recomposto e ensopado, que meu amigo português notou que tentou encaixar a torneira com o adaptador que aumenta em meia polegada o seu tamanho:
- ahh, é só desenroscar isso aqui que cabe.
- nem pensar, seu fulano. olha o tanto de água. deixa aí que vou chamar o bombeiro.
como se eu não tivesse dito absolutamente nada, ele abaixou de novo no registro para tentar fechar. desarrumou o armário, tirou prateleiras e eu enxugando a cozinha. suando como uma condenada. depois de cerca de meia hora, quando ele notou que o registro não ia se mexer mesmo:
- o único jeito é fazer de novo.
- seu fulano, por favor. precisa não.
- como não? já tá tudo molhado mesmo.
ignorei e fui ao quartinho pegar mais um pano, crente que ele ia entender a mensagem. do quartinho ouvi um jato jato. o danado tirou a torneira de novo. dei uma olhada pela fresta da porta e vi tudo que estava em cima da bancada boiando no chão. água e mais água. teto, piso, sala, janela, porta, eletrodomésticos, meu celular... tudo molhado. dessa vez ele conseguiu encaixar a torneira. apertou tudo. pegou a pochete e saiu pingando pelo meu corredor:
- agora é só enxugar.
isso foi às 11 da manhã, amigos. agora são 13h. ainda deixei um lado do fogão meio molhado. cansei de torcer panos.
hoje acordei disposta a ajeitar as coisas e fui instalar o varal, para em seguida arrumar a torneira. tive problemas com o varal e o deixei para a tarde. ocorre que em frente ao meu prédio tem uma dessas galerias que tem de tudo, desde cortinas até jogo do bicho. rumei para a galeria em busca de um bombeiro que trocasse minha torneira. ocorre, que para meu azar, ao lado do meu prédio tem um bar (pausa para vocês acharem que em vez de ir procurar o bombeiro parei no bar e agora escrevo bêbada).
não, não parei. preciso mencionar o bar, para explicar a quem não o conhece, que é um local que frequento (meus amigos também) há muito tempo. o dono, um português teimoso, me trata com muito carinho. o garçom também é parceiro. enfim... desço eu e quando entro na galeria dou de cara com o tal português.
- minha filha, bom dia.
- opa, seu fulano.
- não foi trabalhar?
- nada. estou ajeitando umas coisas. vim aqui procurar um bombeiro para trocar uma torneira.
- ah, mas não precisa. vão querer te tirar aí 50 reais. faço isso pra você.
- é que eu quero fazer logo. não precisa se incomodar.
- faço agora.
e saímos os dois direto pro meu apartamento. perguntei se não ia precisar de ferramentas. "seu porteiro, conheço, é o fulano. pego uma chave com ele". e assim foi. pegamos a chave com o porteiro e subimos.
quando chegamos na minha cozinha, novinha, limpinha, com eletrodomésticos novinhos, o português procurou o registro, claro. porque para se trocar uma torneira é preciso fechar o registro. só que o registro estava sem a cabecinha. sabe aquela cabeça de torneira? ele não tem. o cretino do outro proprietário só pode ter arrancado e enfiado no **.
diante do problema, o português começou a tentar fechar o registro com a chave ou com um alicate. ele nem se mexeu.
pensei: ele vai levantar, vai embora, eu vou na galeria e perco 50 reais para um bombeiro que vai dar jeito. mas não. o português é teimoso. qual não foi minha surpresa quando ele suando horrores, levantou e me disse: vamos fazer sem fechar mesmo, só preciso de um pano para segurar a água. oi??? até onde eu sei pano não apara água. quem conhece o velho vai entender melhor, mas eu não tinha como dizer não, não vai fazer. ele já foi pegando um pano, encostou a porta que dá pra sala e começou a folgar a torneira. tentei, com a voz trêmula, dizer que não. mas nada. minha gente, se vocês nunca viram uma cena dessas, nunca queiram ver. quando o velho tirou a torneira foi um jato de água que eu vi projetado na minha parede e em seguida no meu fogão, geladeira, teto, armários, que me deu vontade de chorar.
como era de se esperar, o pano não aparou porra nenhuma. e quando ele conseguiu, com o dedo, segurar o jato e encaixar a torneira nova, cadê que a danada entrava? nada. devolve essa e recoloca a velha. desespero. ódio. calor. preguiça. vontade de deitar na minha cama e pedir pro mundo dá uma paradinha enquanto eu me preparo pra vida.
foi aí, recomposto e ensopado, que meu amigo português notou que tentou encaixar a torneira com o adaptador que aumenta em meia polegada o seu tamanho:
- ahh, é só desenroscar isso aqui que cabe.
- nem pensar, seu fulano. olha o tanto de água. deixa aí que vou chamar o bombeiro.
como se eu não tivesse dito absolutamente nada, ele abaixou de novo no registro para tentar fechar. desarrumou o armário, tirou prateleiras e eu enxugando a cozinha. suando como uma condenada. depois de cerca de meia hora, quando ele notou que o registro não ia se mexer mesmo:
- o único jeito é fazer de novo.
- seu fulano, por favor. precisa não.
- como não? já tá tudo molhado mesmo.
ignorei e fui ao quartinho pegar mais um pano, crente que ele ia entender a mensagem. do quartinho ouvi um jato jato. o danado tirou a torneira de novo. dei uma olhada pela fresta da porta e vi tudo que estava em cima da bancada boiando no chão. água e mais água. teto, piso, sala, janela, porta, eletrodomésticos, meu celular... tudo molhado. dessa vez ele conseguiu encaixar a torneira. apertou tudo. pegou a pochete e saiu pingando pelo meu corredor:
- agora é só enxugar.
isso foi às 11 da manhã, amigos. agora são 13h. ainda deixei um lado do fogão meio molhado. cansei de torcer panos.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
playboy ao som de fagner
ontem, quando rolou o apagão (calma, eu não vou falar do apagão) eu tava na intenção de escrever aqui sobre a playboy da fernanda young. tinha muita gente comentando das fotos (sobretudo sobre a não-depilação das partes íntimas de fernanda) e re-comentando o alvoroço que ela fez quando disse que ia posar. pra quem não sabe, explicação rápida: fernanda colocou no twitter suas dez razões pra posar nua. por exemplo: 1. salvar o erotismo da mão da breguice; 9. é a primeira vez que a coelhinha da playboy tem 8 romances publicados... e outras besteiras.
fato é que a petulância e os 40 anos de fernanda young fizeram uma boa propaganda da revista e ontem muito se falou sobre o lançamento. e daí que eu fui e baixei a revista pra matar minha curiosidade.
mas meu objetivo nem era comentar as fotos. não achei nada demais. e acho que cada um se depila como quiser. o lance do post era dizer que a coisa mais maneira da revista é que numa das fotos ela posa em cima de um livro do bukowski, o "essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo, amém". é um livro de poemas dele. achei a ideia boa. e fiquei pensando se quem compra a revista dará a mínima atenção para o mais precioso detalhe dela.
_______
o link pra quem quiser ver a revista, já que achei desnecessário colocar a foto: clique aqui
daqui uns 2 dias tiro o link. já tem gente o suficiente por aqui procurando videos de macacos e mulheres.
_______
pensando na fernanda young, a única coisa que lembro de bom dela é 'minha nada mole vida'. um seriado que passava na globo sexta, 11 da noite. vi a temporada toda. no último episódio suzana mandou uma mensagem chamando pra beber. fui e não vi o episódio. até hoje jogo isso na cara dela.
_______
pensando na playboy, lembrei da única que vi na vida: a da carla perez. eu morava em salvador. tinha uns 10 anos. foi um alvoroço também quando saiu. todo mundo comentava que a carla perez era uma baranga e na revista ficou gata (sem deixar de ser cafona). minha mãe não aguentou a curiosidade e comprou. pedi pra ver, pra tentar compreender essa lógica de ficar nua e os outros acharem maneiro. ela me deixou ver só as fotos da carla, rapidinho e eu não podia ler nada.
_______
registre-se a conclusão do dia de hoje: capilo não sabe controlar seus gastos e é bobo.
_______
ouvindo the clash com gosto. dei uma paradinha pra tocar um fagner.
fato é que a petulância e os 40 anos de fernanda young fizeram uma boa propaganda da revista e ontem muito se falou sobre o lançamento. e daí que eu fui e baixei a revista pra matar minha curiosidade.
mas meu objetivo nem era comentar as fotos. não achei nada demais. e acho que cada um se depila como quiser. o lance do post era dizer que a coisa mais maneira da revista é que numa das fotos ela posa em cima de um livro do bukowski, o "essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo, amém". é um livro de poemas dele. achei a ideia boa. e fiquei pensando se quem compra a revista dará a mínima atenção para o mais precioso detalhe dela.
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o link pra quem quiser ver a revista, já que achei desnecessário colocar a foto: clique aqui
daqui uns 2 dias tiro o link. já tem gente o suficiente por aqui procurando videos de macacos e mulheres.
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pensando na fernanda young, a única coisa que lembro de bom dela é 'minha nada mole vida'. um seriado que passava na globo sexta, 11 da noite. vi a temporada toda. no último episódio suzana mandou uma mensagem chamando pra beber. fui e não vi o episódio. até hoje jogo isso na cara dela.
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pensando na playboy, lembrei da única que vi na vida: a da carla perez. eu morava em salvador. tinha uns 10 anos. foi um alvoroço também quando saiu. todo mundo comentava que a carla perez era uma baranga e na revista ficou gata (sem deixar de ser cafona). minha mãe não aguentou a curiosidade e comprou. pedi pra ver, pra tentar compreender essa lógica de ficar nua e os outros acharem maneiro. ela me deixou ver só as fotos da carla, rapidinho e eu não podia ler nada.
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registre-se a conclusão do dia de hoje: capilo não sabe controlar seus gastos e é bobo.
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ouvindo the clash com gosto. dei uma paradinha pra tocar um fagner.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
rapidinho, no horário do expediente
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar
_____
com essa música na cabeça o dia todo. vinícius e suas letras.
o vídeo não é dos melhores, mas tem uma bela participação de andreas kisser, que talvez compense a baixa qualidade.
com essa música na cabeça o dia todo. vinícius e suas letras.
o vídeo não é dos melhores, mas tem uma bela participação de andreas kisser, que talvez compense a baixa qualidade.
domingo, 8 de novembro de 2009
um post para o domingo II
fui ao maracanã e mantendo uma tradição de anos - a baixa temperatura nos membros inferiores - meu time perdeu para o último colocado do campeonato. meu time era só o líder da competição desde a décima quinta rodada - o que comprova meu problema de baixa temperatura nos membros inferiores.
_______
as pessoas podiam vir com um manual de instruções. aí digamos que você começa a se relacionar comigo. sei lá, é minha vizinha, meu colega de sala, meu namorado, minha amiga... qualquer coisa. eu vou lá e te dou o manual. a vida seria muita mais simples. assim, digamos, você aprenderia rapidamente que eu não sou ciumenta, só sou possessiva, é só me dar atenção que eu fico feliz, não importando para quem você dá além de mim... por exemplo!
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não é que eu ande infeliz. mas com muita vontade de recomeçar a vida. fazer tudo de novo. recomeçar a farsa. mudar de personagem. já enjoei desse que hoje acorda todo dia, trabalha com capilo, toma uma cerveja com bodão e se diverte vendo a vida passar. querendo, sei lá, fazer um moicano; virar evangélica ou trabalhar numa padaria. mudar de personagem.
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as pessoas podiam vir com um manual de instruções. aí digamos que você começa a se relacionar comigo. sei lá, é minha vizinha, meu colega de sala, meu namorado, minha amiga... qualquer coisa. eu vou lá e te dou o manual. a vida seria muita mais simples. assim, digamos, você aprenderia rapidamente que eu não sou ciumenta, só sou possessiva, é só me dar atenção que eu fico feliz, não importando para quem você dá além de mim... por exemplo!
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não é que eu ande infeliz. mas com muita vontade de recomeçar a vida. fazer tudo de novo. recomeçar a farsa. mudar de personagem. já enjoei desse que hoje acorda todo dia, trabalha com capilo, toma uma cerveja com bodão e se diverte vendo a vida passar. querendo, sei lá, fazer um moicano; virar evangélica ou trabalhar numa padaria. mudar de personagem.
seu destino eu sei de cor
venho do show do nando reis. (nem vou explicar como fui parar lá, porque tá meio tarde. maso esquema era ingresso na mão e carona gratuita. fui)
peguei a última latinha dessas pequenininhas da skol q tinha geladeira. porque né? tá meio cedo ainda e não tem nutella.
cara, nando reis é um fazedor de hits. ele e lulu santos. os homens dos hits com refrão grudento, mensagem profunda e metáforas emocionantes. mas agora voltando pra casa, repensei isso. lulu é um homem de hits sobre as grandes questões da vida. as razões do ser, os amores platônicos, a essência do homem: a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito.
nando reis não. ele é um cara da microfísica. o cara que te pega fundo. ele tem músicas sobre a mãe, sobre a filha, o amor que deu certo, o que deu errado, o all star, o jantar e qualquer outra coisa fundamental na sua existência.
quem nunca teve um amor pra sempre cantado numa música do nando que atire a primeira pedra. e quem não aprendeu com ele que o pra sempre sempre acaba, também.
mas confesso que a minha música sempre foi marvin. gosto de muitas, claro - todas devidamente cantadas hoje. mas marvin é foda. um hit para a vida.
marvin agora é só você.
e aos treze anos de idade eu sentia todo peso do mundo em minhas costas.
pra não dizer de quando só se via carne se roubasse um frango.
salve nando!
peguei a última latinha dessas pequenininhas da skol q tinha geladeira. porque né? tá meio cedo ainda e não tem nutella.
cara, nando reis é um fazedor de hits. ele e lulu santos. os homens dos hits com refrão grudento, mensagem profunda e metáforas emocionantes. mas agora voltando pra casa, repensei isso. lulu é um homem de hits sobre as grandes questões da vida. as razões do ser, os amores platônicos, a essência do homem: a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito.
nando reis não. ele é um cara da microfísica. o cara que te pega fundo. ele tem músicas sobre a mãe, sobre a filha, o amor que deu certo, o que deu errado, o all star, o jantar e qualquer outra coisa fundamental na sua existência.
quem nunca teve um amor pra sempre cantado numa música do nando que atire a primeira pedra. e quem não aprendeu com ele que o pra sempre sempre acaba, também.
mas confesso que a minha música sempre foi marvin. gosto de muitas, claro - todas devidamente cantadas hoje. mas marvin é foda. um hit para a vida.
marvin agora é só você.
e aos treze anos de idade eu sentia todo peso do mundo em minhas costas.
pra não dizer de quando só se via carne se roubasse um frango.
salve nando!
sábado, 7 de novembro de 2009
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