quarta-feira, 23 de julho de 2008

Eu vim de lá pequenininha

Eu não tenho nada interessante pra falar não. Então, raro leitor, se você quer ler algo interessante, clica num dos blogs aqui do lado, pega um livro ou entra no Uol (lá sempre tem umas galerias de fotos de artistas que eu adoro, além dos artigos educativos da Folha).

Mas é que ontem, teve aquele samba que tava rolando todas as terças de julho e acabando com as minhas quartas. Acabando não, que a culpa nunca é do samba. O problema é que tinha trabalho no dia seguinte, um absurdo. E lá ontem, pela primeira vez eles tocaram uma música que eu adoro. "Alguém me avisou". Acho bonita. E tem aquela parte que diz assim: "quando eu voltar pra Bahia, terei muito contar, ô padrinho não se zangue que eu nasci com o samba, eu não posso parar". Uma música conhecida, nada demais. É que fiquei com ela na cabeça e hoje tava viajando nisso, essa coisa de voltar pra Bahia. É legal achar que somos de algum lugar né? Eu inflo o peito pra dizer que sou baiana; Faveleiro pra dizer que é da favela; Capilo pra falar que é do interior do Rio e Bodão, Bodão é o que há de mais carioca: mora na Glória, bate ponto na Lapa, torce pro Flamengo, bebe água e canta samba. Precisa nem dizer que é carioca. "Nessa vida tudo passa", mas é bom saber que há sempre algo que fica. Isso que somos...

Bom, avisei antes que não tinha nada de interessante pra falar. Você leu até aqui porque quis. Não reclame.

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Bodão, enfim, tomou vergonha nessa cara suja e carioca e liberou a senha. Ou melhor, nos fez administradores do blog. Já era hora. Isso mostra que o povo unido, pode vencer as forças opressoras. Bodão, que é o que temos de mais hegemônico e imoral em nosso blog (flamenguista, carioca, morador da zona sul), oprimiu seus companheiros representantes das minorias (o favelado, a mulher e o interiorano) até não poder mais. Mas resistimos e vencemos. Somos admin. A revolução começa no ombudsman.

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Eu sei raro leitor, o que você quer mesmo é um novo layout. Fique tranquilo. Depois de tomarmos o poder, as reformas virão num ritmo frenético.

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Você leu até aqui? Falei que não era interessante. Vai ler um livro ou assistir "Nome próprio" no cinema que é melhor.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Frase do dia...

"Essa prisão é uma covardia... Sou um pai de família..." - Natalino Guimarães

Nunca, jamais, em hipótese alguma...

... deixem de ouvir Ricardo Boechat na Band News FM (tem que ser na rádio, pois é onde ele tem mais liberdade)

Estava com uma enorme vontade de escrever sobre aquilo que mais mexe comigo: Segurança Pública, violência urbana...

Mas após ouvir, na ultima semana (não lembro qual foi o dia) o nosso querido jornalista, senti-me contemplado na sua fala. O cara foi excepcional!
Por ocasião do assassinato do menor (por que não menor?) da Tijuca, falou tudo que deveria ser dito por um veículo de comunicação, no que se refere a política de segurança pública vigente. Se tivesse uma ereção, teria gozado.
Boechat aproveitou o episódio e proferiu com mais veemencia o que já vem há algum tempo gritando em seu programa. Dentre tantas coisas ditas, destaco quando disse que o Cabral, Beltrame e toda a cúpula da Segurança Pública deveriam responder criminalmente como co-autores de todos os crimes cometidos pela polícia nessa gestão. E ainda: "... baixa de guerra porra nenhuma...!!! Quem mais sofre com essa política do confronto, que autoriza matar, são os moradores das favelas... quantas crianças nas favelas já morreram? E não adianta vir com esse dicurso de que há uma perseguição à polícia, de que ninguem fala quando bandidos matam, torturam... o que se espera de bandido é que sejam bandidos, não se pode esperar mais nada deles. Mas o que se espera da polícia, que são servidores públicos, é que garantam a segurança e a integridade fisica das pessoas e não executem cidadãos por ai..."
Vale a pena ouvir Boechat toda manhã!

Nunca, jamais, em hipótese alguma...

... deixem de assistir ao recem lançado Nome Próprio!
Bodão, esse filme precisa de você como expectador!

responde aê

lá do buteco pessoal. achei divertido, mas é difícil escolher as música! Bodão, podíamos fazer o mesmo com poemas...

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"(...) Coisa de uma nova febre na internet, um tal de meme (derivado de memética). E uma das idéias dessa febre é conhecer melhor os outros, interação, sei-lá-mais-o-quê. Aí recebi esse email com umas perguntas e você responderia com músicas de seu artista ou banda favorito. Num sei quem é meu favorito, mas ficou mais ou menos assim:"


artista: Chico buarque

1 Descreva-se: Dura na queda

2 O que as pessoas acham de você: Pivete

3 Descreva sua última relação: Sem açucar

4 Descreva a atual relação: O que será?

5 Onde queria estar agora: Subúrbio

6 O que você pensa sobre o amor: Vai passar

7 Como é sua vida: Pelas tabelas

8 Se tivesse direito a apenas um desejo: Samba e amor / Mil perdões (difícil escolher)

9 Uma frase sábia:
“Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás”

10 Uma frase para os próximos:
“Muita mutreta pra levar a situação
Que a gente vai levando de teimoso e de pirraça
E a gente vai tomando que, também, sem a cachaça
Ninguém segura esse rojão"

ORIELEVAF OD ONROTER O

Meus companheiros,
estou, enfim, de volta!!!
Sei que meu sumiço do blog talvez não se justifique, mas um misto de questões diversas desestimularam-me a escrever por um período neste irreverente e sábio espaço virtual.
Isso não importa agora!! Foda-se!! O que importa é que estou de volta (se é que eu já estive aqui)! E com ânsia de expor idéias, relatos, lamúrias, gozações e provocar "arengas"...
Longe de deter o domínio jornalístico, a sapiência e a fala na velocidade 5 de Clementina, o feeling, o discernimento e o tic nervoso de Dom Capilo e a arte das palavras e inspiração etílica de Rodrigo Bodão, pretendo discorrer aqui sobre as questões que minimamente domino e relatar as minhas constatações a partir das minhas diversas vivências, experiências, saliências... que obtive enquanto favelado, ex-católico, ex-soldado, ex-militante do PT, ex-universitário, ex-namorado, ex-aluno, ex-viado (opa, isso não)... e que ainda obtenho enquanto professor de sociologia, mestrando, porradeiro, militar combatente e atirador, militante de direitos humanos (parece contraditório, né?), pai e consumidor voraz do precioso líquido derivado da cevada indignado com a ordem estabelecida.
Aguarde e confie

Até
Faveleiro
vão é tudo que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros
vãs
todas as coisas que vão

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leminski para a boa noite.

boa noite. durma bem.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Uma cidade longe daqui

Fui ao Leblon ontem visitar um amigo e, como sempre, dividir com ele boas risadas, bom papo, café com açúcar mascavo, boa música e sanduíche de pão integral com tomate e queijo branco. Vou pouco ao Leblon, e na maioria das vezes, para visitar esse mesmo amigo. Então, quando penso no bairro, não imagino muita coisa além disso: boas risadas, bom papo, café com açúcar mascavo, boa música e sanduíche de pão integral com tomate e queijo branco.

Talvez por isso, toda vez que vou ao Leblon fico impressionada. É um lugar diferente do resto da cidade. Mas é um diferente, diferente. Penso, por exemplo, na Urca. A Urca é diferente do resto da cidade. Um bairro mais tranquilo, mais arborizado, quase nada de comércio, não tem muitas vias de entrada. Enfim, a Urca é meio oásis no caos carioca. Mas o Leblon não. O Leblon é o diferente no olho do furacão, o Leblon reproduz o caos, mas o faz diferente.

Cheguei no bairro um pouco antes do combinado com meu amigo. Resolvi fazer hora caminhando numa feira de livros que tá rolando na praça da Bartolomeu Mitre. No Leblon, as praças são espaços lotados de crianças, locais bonitos, bem cuidados. Achei um livro interessante. Não comprei. Porque na feira de livros usados do Leblon, o livro usado custa o preço de um novo.

Cansei da feira e fui num daqueles muitos locais aconchegantes, de mesinhas e cadeirinhas de madeira bem fofas, com carpete na calçada. Aliás, que calçadas. Minha gente, as calçadas do Leblon são tão largas, que os cafés e bares aconchegantes podem colocar um carpete nelas que ainda sobra espaço pro carrinho de bebê passar confortável sem incomodar os três seguranças do prédio ao lado. Haja calçada.

Sentei, então, numa das mesinhas fofas, pedi um café pelo preço de uma cerveja de garrafa nos bares da Zona Sul e um pão de queijo, no valor da quentinha que almoço aqui na Maré. Bom café, ótimo pão de queijo e aquele clima gostoso que só o Leblon tem: o segurança boa praça, os carrinhos de bebê passando, a velhinha simpática, e as crianças voltando da pracinha. Delícia de fim de tarde. Tão gostoso que me lembrei de uma música do Leandro Sapucahy com Marcelo D2, sorte que está na lista das tocadas ultimamente no celular...

Numa cidade muito longe,
Muito longe daqui
Que tem problemas que parecem
Os problemas daqui
Que têm favelas que parecem
As favelas daqui
Existem homens maus
Sem alma e sem coração
Existem homens da lei
Com determinação
Mas o momento é de caos
Porque a população
Na brincadeira sinistra
De polícia e ladrão
Não sabe ao certo quem é
Quem é herói ou vilão


No início da noite voltei pra minha cidade. A viagem é tão longa que só me dei conta que já tinha chagado nela quando vi o rapa dando dura em ambulantes em Copacabana. O Leblon parece com minha cidade, pena que é muito longe daqui. Aqui existem homens maus. Será que se mudarmos todos para o Leblon viramos homens bons?


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Durante o cafezinho, escutei a conversa de dois desconhecidos que estavam na mesa ao lado. Escutei porque notei que estavam falando do Tricolinho, que perdeu na quarta pro Verdão.

- Fiquei sabendo que a Inter tá de olho no Fernando Henrique, rapaz.
- Ãhn? Só se for a Inter de Limeira - rindo.
- É sério. A Inter de Milão.
- Rapaz, o Fernando Henrique tem que dar graças a Deus se continuar nas Laranjeiras, porque ele nunca devia ter saído de Bauru.

Gostei do moço.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Li a postagem da clê e me deu vontade de escrever. Não ando muito bem. Pra quem acompanha os comentários, e pros que não, tive problemas recentes. Ficou pra mim a constatação de que o rumo que estava tomando não era aceitável e a promessa de mudança.

Parar de beber, traduzo...

É foda... difícil.

Consegui, motivado pela humilhação que vivi (fui atendido na Lapa, desmaiado, na sarjeta literalmente), ficar de pronto uma semana. Só.

Voltei bebendo bem mais devagar, com ajuda da culpa e de um número aumentado de baseados.

Bebi hoje.

Na verdade, estou bêbado.

Cheirei.

Fumei.

Misturei cerveja com whisky.

Mas, menos mal:

Estou em casa.

Ficar sóbrio seria bem mais fácil se a vida não perdesse

Quase
De bate pronto

A graça

E o sentido.

Tintim!!