terça-feira, 27 de outubro de 2009

sessão poesia

(...)

da dúvida primeira
se iria até o fim

ficou um hálito

da cautela costumeira
frente à musa
perto assim

aplauso

das palavras verdadeiras
confiança
e do alecrim

um cheiro

da lágrima furtiva
do controle
do silêncio

um som

do abraço desejado
corpo lindo
quente e ao lado

um plano

lábios grossos
longos fios
língua solta

quero sim

língua solta
entre meus lábios
língua e língua

sim e sim

de tão quente
esse embaraço
te desejo

só pra mim

por um dia
um soslaio
vago instante
um beijo

e assim

teu gemido
entre meus braços
língua e língua

sim e sim

foste embora
eu também
e em meu peito

se detêm
a ilusão do teu desejo

ficção de longos beijos
dos teus lábios

em meus lábios

língua e língua

sim e sim

Rodrigo Bodão

sessão filosofia



§285

“Os maiores acontecimentos e pensamentos – mas os maiores pensamentos são os maiores acontecimentos – são os que mais tardiamente são compreendidos: as gerações que lhes são contemporâneas não vivem tais acontecimentos – sua vida passa por eles. Aqui acontece algo como no reino das estrelas. A luz das estrelas mais distantes é a que mais tardiamente chega aos homens; e, antes que chegue, o homem nega que ali haja estrelas. ‘De quantos séculos precisa um espírito para ser compreendido?’ – esta é também uma medida, com ela se cria também uma hierarquia e uma etiqueta, como é preciso: para espírito e estrela.”

(Nietzsche, Para além de bem e mal)

sessão nostalgia

Afagos lírico-virtuais!!!

Não ia dizer nada mais, mas...

Cartola: disse tudo que sinto hoje... só não garanto parar de beber (e cá entre nós, nem vc né malandro...)...

Vinícius: queria estar nessa sala...

Elis: com essa voz e esse sorriso você traz o carnaval consigo...








segunda-feira, 26 de outubro de 2009

De volta a base...

Lembro-me com muita clareza, e certamente meus companheiros de blog também lembram, em que contexto surgiu este blog. Era um momento sangrento em que o governo do estado começava a seguir à risca a cartilha da “higienização”, da “limpeza” social. Tratava-se do período pré-pan, quando iniciaram as megaoperações sob a batuta do Sr. Beltrame. Em dois meses, foram dezenas de mortes provocadas por confrontos armados entre polícia e bandidos (ou seria entre bandidos e bandidos, ou polícia e polícia... sei lá tanto faz), além dos caveirões, etc... Foi nesse contexto que decidimos algumas “ações” (a Clê poderia nos narrar a colagem de cartazes pelo centro) como forma de protesto ao que ocorria, inclusive a criação deste espaço virtual.

Pois é... gostaria então de me reportar ao tema original que motivou este blog:
“Eu já passei por quase tudo nessa vida...” E dentre esse quase tudo, inclui, além de soldado, vendedor de picolé, Office boy, catequista, roqueiro, inclui também um período em que trabalhei como “menor aprendiz” de uma instituição chamada “Centro Salesiano do Menor” (o nome lembra até uma casa de recuperação para delinqüentes). Após um breve período aprendendo a como se comportar passivamente numa empresa, a ser um funcionário disciplinado e obediente, fui encaminhado para trabalhar como estagiário numa agência da Caixa Econômica. Lá eu fazia um monte de coisas que eu gostava, que me fazia se sentir importante: eu atendia o público, dando informações; arquivava documentos, abria conta, dava entrada no Fundo de Garantia dos velhinhos endinheirados que se aposentavam pela Petrobrás (era muita grana que aquela gente recebia!), enfim, eu era a mão de obra barata para os serviços burocráticos.


Em se tratando de uma agência bancária, o risco de assalto era iminente, daí, a necessidade de vigilantes armados com seus “três oitões” pronto para atirar... Eu era amigo desses caras, afinal éramos da “casta inferior” e nos identificávamos, ficávamos boa parte do tempo batendo papo próximo ao balcão de atendimento. Não sabia que eu, do alto dos meus 17 anos, vivenciaria o primeiro assalto a agência da av. Chile. E foi justamente num desses dias de bate papo com meu amigo Arruda, o vigilante feio e mal encarado, com coração de bala de açúcar. São poucas as imagens registradas na parede da memória, daqueles intermináveis 3 minutos: De forma repentina, Arruda muda de fisionomia (se é que era possível) e movimenta a mão para seu calibre 38: “Não se engraça, não!!!” Pá, pá, puum! ... arma há 50cm da minha orelha disparando na direção do Arruda que teve a minha companhia no automático e natural impulso humano de se jogar no chão diante de tal infortúnio. Talvez o nome dele não fosse dado à toa: nenhum tiro acertou Arruda. Homens pulando o balcão... homens saindo com malote... silêncio absoluto. Fim do assalto.

Não são esses flashes que mais me fazem lembrar do episódio, são os momentos posteriores:
- E aí? Está tudo bem? Como você está se sentindo? – perguntas estranhas fazia aquele homem, que depois fiquei sabendo era o psicólogo do banco “especialista nessas situações”.
E enfim, as falas que não me saem da cabeça, principalmente quando vem à tona a nossa segurança pública: “Eu acho um absurdo, esses vigilantes serem orientados a reagirem a assaltos!!! Deixa levar essa merda! Tá no seguro! Isso só faz colocar a nossa vida em risco!”. Era a gerente referindo-se a tentativa de reação de Arruda, já que segundo ela, o assaltante só teria atirado por ter percebido o movimento do vigiliante-aspirante-a-herói. E é exatamente aí que queria chegar: não só ela, como vários funcionários condenaram tanto a atitude de Arruda, como a orientação recebida por eles (e é esse que deve ser o foco da condenação) de sempre reagir nessas situações. Ou seja, não precisa ser especialista para saber que num espaço com grande movimentação, como era o caso daquela agência, é no mínimo uma grande irresponsabilidade tentar reagir a um assalto, já que tal atitude transforma imediatamente o local em uma arena do inferno... tiro pra tudo quantu é ladu. Afinal de contas, do bandido espera-se que ele seja... bandido! Nada mais... Já do vigilante, espera-se minimamente que ele seja um agente que tentará garantir a integridade física das pessoas que lá se encontram (talvez seja ingênuo da minha parte, já que na verdade eles lá se encontram para proteger o patrimônio do banqueiro). Mas, de qualquer forma, era essa a aspiração, era isso o que esperavam os gerentes, funcionários, clientes, velhinhos aposentados da Petrobras... em relação aos vigilantes. “Absurdo tentar reagir e nos colocar em risco! Que se foda o dinheiro, o importante é minha vida!”

Pois é... não deveria ser este o pensamento dominante quando o assunto é segurança pública nas favelas? Nesses espaços tão densamente povoados, cujas vidas ficam em 34º plano nas ações de intervenção policial?

Ah... mas a o buraco é mais em Marx. Como já dizia o xerife Beltrame, “um tiro em Copacabana é uma coisa, um tiro na Coréia, no Alemão, é outra”.

Quero ver “remédio amargo”, “mal necessário”, “baixa de guerra” no quintal dos velhinhos endinheirados da Petrobrás.

Aí não tem jeito... meu ódio e indignação exalam pelos poros e pelos olhos ensandecidos quando a pauta do telejornal é: investigação para saber de onde partiu o tiro. Da polícia ou do traficante?

Não interessa de onde partiu o tiro! O Estado deve ser responsabilizado por privilegiar o confronto armado nas favelas. Por provocarem os bandidos, assim como fez Arruda, a acionarem seus brinquedinhos devastadores...

Enquanto isso, menos uma mãe na favela Kelson. Ou melhor, menos uma “fabricante de bandidos”, não é Sergio Cabral?

prosa poética mais pra lá do que pra onde?


(...)

o silêncio...

o silêncio seria tão agradável não fosse ele possuído por esse turbilhão de vozes...

e pior: todas carregam essa entonação muda do meu pensamento...

ao menos não ouço outras vozes...

e essas vozes vêm sempre acompanhadas de imagens altissonantes...

dizem que antes de morrer passa uma espécie de filme em sua cabeça, lembranças da vida presente que se esvai...

sei não... algo em mim está morrendo.

até porque no fundo, no fundo, existem silêncios melhores, os quais, ao passar por minha cabeça aumentam o turbilhão de vozes carregadas da entonação muda do meu pensamento junto de imagens altissonantes e a certeza de que algo em mim está morrendo em silêncio...

vídeo de macacos trepando com popozudas ao som de funk ou porque os dentistas recomendam colgate com rivotril

bruno bandido escreveu em seu blog sobre os termos de busca pelos quais as pessoas chegam nele.

sempre pensei em colocar alguns termos que levam ao ombudsman também. porque sempre me chamou a atenção como macacos + trepar são comuns por aqui - já comentei com capilo. ok, muita gente chega buscando por bukowski (é um post meu em que falo do conto dele "12 macacos alados que não conseguem trepar sossegados" e outros devaneios). mas a maioria vem atrás de sacanagem.

nem vou dar uma de moralista e dizer: 'nossa, que triste esse pessoal que procura pornografia na internet'. cara, a lógica é simples: todo mundo gosta de uma pornografia. tá bom, dizer 'todo mundo' é querer se incluir sem deixar claro. reformulemos. pornografia faz parte da vida - senão de todos, de muitos. acho que não tem nada a ver com solidão ou que seja negativo. é bom. não se recrimine. nem se envergonhe. e na internet é bom, de graça e rápido de conseguir. logo, nada mais esperado do que o fato de que ela apareça aos montes nas buscas. o que me assusta é como as pessoas são ruim de busca. não sabem procurar direito. e, francamente, o google não é a melhor via para se encontrar pornografia na rede. digo, de qualidade, claro.

vamos aos termos, antes que eu comece a indicar sites para os perdidos:

popozudas - é o termo mais comum. aparece com algumas variantes. exemplo: africanas popozudas sexo ou as poposudas de mini saia. regra um: antes de ir atrás da pornografia, conheça seu objeto de desejo e aprenda a grafia dele. isso aumenta suas chances de chegar num site que preste.

olcadil engorda - remédio de dormir é busca comum também. quer dizer, a pessoa se masturba com poposudas e depois ainda quer que a gente recomende um calmante. acho muito louco gente que se medica via google. variantes: qual remedio é melhor para dormir o olcadil ou rivotril? ou ainda olcadil com cerveja. já que é pra ajudar que estamos aqui, vamos lá: olcadil que eu saiba não engorda; se é pra dormir mesmo, com vontade, recomendo rivotril e finalmente, calmante e álcool não combinam. o dia seguinte é trágico e pode dar taquicardia.

fora povo verissimo - esse texto do veríssimo que o bodão postou rende muito. bom ver que nem só de carentes-afetivo-sexuais e depressivos está povoado essas terras de meu deus.

"funk do freud" - o funk de bodão. famoso: freud era mó doente / gostava de cheirar pó / descobriu o inconsciente comendo a ana ó (em ritmo de égua pocotó)... ou algo assim

"julio reny continua nas ruas" - não entendo como essa pessoa chegou aqui.

"quem bebe fuma e cheira agita a noite inteira" - essa tem variantes também. não entendo como essa pessoa chegou aqui.

9 em cada 10 dentistas recomendam colgate e sua variante: oral b vs colgate - buscar recomendação de pasta de dente via google é pior (ridículo) do que buscar medicamento de tarja preta.

cerveja+gastrite - não recomendo. mas se vc tem gastrite, não vai deixar de beber por isso né? quando tiver em crise: omeprazol. um comprimido depois do almoço e do jantar. cura tudo.

eu acho pobre ir de onibus para a praia - depois eu que sou pessimista quanto ao futuro da humanidade.

mulheres trepando com macacos gratis - uma das muitas variantes dos macacos trepando. juro que se entre a pornografia que consumo (de forma saudável e respeitosa, claro) figurasse alguma coisa com macacos eu postava aqui só pra satisfazer a galera.

grosseria tem ditongo? - é hiato!

o capeta trepando - ...
(fiquem com meu silêncio)

videos safadas mostrando tudo no funk nas festinhas das comunidades - regra dois (e última): seja mais específico.

sábado, 24 de outubro de 2009

ano novo, vida nova

decidi hoje qual será minha resolução de ano novo: não mandar mais e-mail/mensagem errada pra ninguém

ontem abri uma janela no Gtalk pra falar de trabalho com capilo e despejei pauta num colega de faculdade - jornalista também. quer dizer, ainda dei minhas ideias pra outro - com detalhes.

hoje mandei pela milésima vez uma mensagem trocada. eu sempre confundo amigos (uns 2 ou 3 que sei o número de cor) e minha irmã. se eu contar pra vocês o que já escrevi pra minha irmã de madrugada, vocês terão pena deste ser dislexo que sou eu.

uma das piores foi quando eu tava saindo (num achei expressão melhor, desculpa) com esse carinha que se vestia mal (veja bem, para eu notar, era algo inimaginável). cheguei no cinema e ao encontrá-lo redigi mensagem pra um amigo contando da tragédia no vestiário do dia. eu sempre uso o tal "contatos recentes" do celular, e daí que encaminhei a mensagem pro carinha e não pro meu amigo. o conteúdo? uma calça horrorosa que ele insistia em usar.

pensa numa pessoa em pânico. eu fiquei imaginando como seria aquilo, eu de frente pra ele, ele abre o celular, lê o SMS e eu faria o que? tensão pura. sorte que o sinal tava horrível e consegui deletar antes que enviasse. um dos piores momentos da vida.

pra não falar do e-mail que encaminhei pra um dos meus chefes (era pra capilo), sacaneando o próprio chefe que estava com dengue em casa. pânico de novo.

quando eu fui fazer prova de vestibular o único conselho que meu pai me deu foi que lesse cada questão duas vezes. porque eu sou muito "agoniada" e acabaria não prestando atenção nas perguntas. na prova de matemática, que achei fácil, não segui o conselho de papai e errei duas questões porque usei os dados errados. até hoje ele joga isso na cara.

com as mensagens ou e-mail acontece do mesmo jeito. tenho que digitar com calma, pensar antes de inserir o número e nunca, nunca mais usar os 'contatos recentes'.

é minha resolução de ano novo.

vou dar uma interrompida no meu momento pagode

...para isso:





porque é tempo de se pensar que o amor pode, de repente, chegar.

____

eu hoje dizia que a parte boa de se amar é a certeza de que em algum momento haverá dor, sofrimento, ranger de dentes e aquela vontade gostosa de se jogar da ponte. 'mas, clementina, isso não é bom'. também acho que não. bom são os porres que se tomam nessas horas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

de onde vens...

recebi um presente hoje, na forma de uma frase que me deixou bastante emocionado...

"dor de amor quando não passa, é porque o amor valeu"

se não estivesse no trabalho, eu iria me trancar no banheiro, cômodo da casa onde fico mais à vontade pra chorar... desde criança...

aliás, chorar no banheiro lá de casa é como mergulhar no passado... nado nas lágrimas presentes, banho-me com as de outrora...

pesquisei a frase, uma vez que vinha entre aspas...

descobri que se trata de uma composição de Dori Caymmi e Nelson Motta. Não consegui no youtube a gravação do velho Dorival... Dentre os vídeos relacionados, selecionei as gravações da Cristina Motta e da Mariana Aydar. A primeira porque gostei do arranjo, o áudio está limpinho, deve ser mulher do autor... enfim... A segunda, apesar do áudio não ser dos melhores, tem um arranjo bacana e além disso sei que quem me presenteou com esse afago lírico gosta muito da Mariana Aydar - inclusive desconfio que é essa a procedência da frase...

Pois então, posto os dois links...

Beijos pra Mulher - com M maiúsculo - que vive pelas bandas da Costa Verde...








quarta-feira, 21 de outubro de 2009

elegia ao amor de hoje

elegia:
poema lírico de tom terno e triste

perfume que eu sinto até dentro do ônibus lotado em dia de verão
mão no cabelo
mancha na nuca

nuca

nuca e um beijo
lóbulo da orelha solto

falha na sobrancelha
dedos gordos
óculos velho


mania de cheirar a comida

copo de cerveja perdido
flauta transversal

gaita também


uma coçadinha no nariz
covinhas nas costas
sorvete de côco

assovio desafinado
calça pescador verde-musgo
um cigarro com uma bala na boca

vento nas mãos

onda quebrando
céu de outono

dia amanhecendo
som do pandeiro

sentar na calçada

agenda em branco
allstar azul marinho furado

e o curioso hábito de ler revistas de trás pra frente

agora, depois de listar tudo que me faz pensar em você
é só compor versos hexâmetros e pentâmetros alternados