Porque ontem foi dia de samba. Porque fazia um tempo que eu não ia. Porque depois do samba tudo fica mais colorido e mais leve.
"Acreditar, eu não
Recomeçar, jamais
A vida foi em frente
E você simplesmente não viu que ficou pra trás"
domingo, 2 de março de 2008
sábado, 1 de março de 2008
Cartões corporativos e meu instinto jornalístico
Estou aqui, sabadão, super trabalhando. Ando tão empolgada que tratei de apurar dados para minha pauta com o maior afinco. Visitando o site da presidência na busca por dados sobre o PAC, avistei o link para o Portal Transparência. Daí, me lembrei que com toda essa baboseira da imprensa em sua odisséia para melar o Lula por causa de tapiocas e afins, saía direto no jornal os dados do Portal. Fiquei curiosa pra ver como era que funcionava e acessei as contas do governo.
Comédia minha gente. Porque o cara recebe o tal cartão e tudo, tudo o que ele faz com o cartão vai para o site que tem acesso liberado. Mas, tem gente que é burra, ou melhor, não consegue entender a complexidade dos fatos. Notei que pouquíssimos ministros têm cartões em seu nome. Alowww, aprendemos quando criança que a melhor maneira de se safar de confusão é jogar a culpa no irmão mais novo. Orlando Silva e Matilde Ribeiro se fuderam porque foram otários.
Tem gente esperta como a Marina Silva que tem cartão, mas que quase não passa débito e quando o faz, só usa em coisa de fácil explicação. Todos os débitos dela são em hotéis, nada exorbitante. Como todo esperto, ela usa os saques. Rola muito saque. Muito. Vi uns de R$ 2000 (não na Marina, que fique claro, ela gasta pouco). Isso porque o cartão é pra despesas emergenciais. Aqui no meu hospício se surgir uma despesa emergencial de 2000 conto, eu morro sem grana. Quero ressaltar que esse tipo de coisa não acontece no Exército Brasileiro, essa instituição transparente, essa ode à honestidade. O Exército possui apenas UM cartão, com o qual foi feita apenas UMA operação bancária: um saque de 4 reais. Tá lá, pode conferir.
Notei que gastos com material de construção, papelaria e informática são os mais comuns. Fiquei curiosa pra saber o que tanto compram em loja de material de construção. Papelaria e informática eu até entendo. Se bem que R$ 1543,00 (cartão de um funcionário do IBGE) é um pouco demais pra se gastar numa papelaria.
Tem umas coisas engraçadas também. Como um funcionário da presidência da república, um tal de José Henrique Souza que deve gostar de comida boa, porque gasta horrores em padarias e mercados em Brasília (esse é dos meus, sabe apreciar o que é bom). Entre junho e dezembro de 2007 ele gastou R$ 114.944,73. No extrato consta uma compra de R$ 288,00 no Pão Italiano, uma padaria que ficava perto da minha casa, quando eu morava no planalto central. Lá tem uns croissants doces dos deuses. Mas, isso não é o melhor. O bruto gastou mais de R$ 8000 num espaço de 3 meses no La Palma, mercadinho que fica na Asa Norte em Brasília.
Pra completar a odisséia gastronômica brasiliense, o tal assessor ainda tem gastos enormes num espécie de açougue de luxo, a Reisman Carnes. Dá pra ver também muitas compras na Cia Brasileira de Distribuição, que nós conhecemos como rede Pão de Açúcar e num tal de Wine Company. O cara tem bom gosto, vai.
Interessante mesmo foi descobrir que o pessoal do Ipea utiliza os mesmos técnicos de informática que eu chamava quando morava lá, os caras da High Tech. Léo e Valtinho devem estar bem de vida. Mas, merecem, são bons profissionais e ralam pra caramba.
Comédia minha gente. Porque o cara recebe o tal cartão e tudo, tudo o que ele faz com o cartão vai para o site que tem acesso liberado. Mas, tem gente que é burra, ou melhor, não consegue entender a complexidade dos fatos. Notei que pouquíssimos ministros têm cartões em seu nome. Alowww, aprendemos quando criança que a melhor maneira de se safar de confusão é jogar a culpa no irmão mais novo. Orlando Silva e Matilde Ribeiro se fuderam porque foram otários.
Tem gente esperta como a Marina Silva que tem cartão, mas que quase não passa débito e quando o faz, só usa em coisa de fácil explicação. Todos os débitos dela são em hotéis, nada exorbitante. Como todo esperto, ela usa os saques. Rola muito saque. Muito. Vi uns de R$ 2000 (não na Marina, que fique claro, ela gasta pouco). Isso porque o cartão é pra despesas emergenciais. Aqui no meu hospício se surgir uma despesa emergencial de 2000 conto, eu morro sem grana. Quero ressaltar que esse tipo de coisa não acontece no Exército Brasileiro, essa instituição transparente, essa ode à honestidade. O Exército possui apenas UM cartão, com o qual foi feita apenas UMA operação bancária: um saque de 4 reais. Tá lá, pode conferir.
Notei que gastos com material de construção, papelaria e informática são os mais comuns. Fiquei curiosa pra saber o que tanto compram em loja de material de construção. Papelaria e informática eu até entendo. Se bem que R$ 1543,00 (cartão de um funcionário do IBGE) é um pouco demais pra se gastar numa papelaria.
Tem umas coisas engraçadas também. Como um funcionário da presidência da república, um tal de José Henrique Souza que deve gostar de comida boa, porque gasta horrores em padarias e mercados em Brasília (esse é dos meus, sabe apreciar o que é bom). Entre junho e dezembro de 2007 ele gastou R$ 114.944,73. No extrato consta uma compra de R$ 288,00 no Pão Italiano, uma padaria que ficava perto da minha casa, quando eu morava no planalto central. Lá tem uns croissants doces dos deuses. Mas, isso não é o melhor. O bruto gastou mais de R$ 8000 num espaço de 3 meses no La Palma, mercadinho que fica na Asa Norte em Brasília.
Pra completar a odisséia gastronômica brasiliense, o tal assessor ainda tem gastos enormes num espécie de açougue de luxo, a Reisman Carnes. Dá pra ver também muitas compras na Cia Brasileira de Distribuição, que nós conhecemos como rede Pão de Açúcar e num tal de Wine Company. O cara tem bom gosto, vai.Interessante mesmo foi descobrir que o pessoal do Ipea utiliza os mesmos técnicos de informática que eu chamava quando morava lá, os caras da High Tech. Léo e Valtinho devem estar bem de vida. Mas, merecem, são bons profissionais e ralam pra caramba.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
biscoito de maizena
Tem dias que são assim. Você lembra das coisas.
Estava em minha peregrinação por algumas favelas cariocas essa semana (coisa de trabalho). Nessas idas e vindas, muita coisa nova fui percebendo – o trabalho, não vem ao caso explicar, mas é mais de observação, o que me dá tempo de pensar, bater papo. Na verdade, acabei vendo muita coisa bonita (e feia também), conversei com muita gente que nunca mais vou ver (será?), mas falaram comigo como se fosse um amigo de algum tempo. Isso é interessante nesses espaços.
Talvez esteja achando isso estranho porque me desacostumei à simpatia. Vida em cidade grande, onde é cada um por si e ninguém se conhece. E foi justamente de tempos remotos que me lembrei. Tempos da infância. Uma das coisas que mais me marcaram nesses dias de visitar as favelas foi um senhor, chamando por uma criança e dando a ela um punhado de biscoito de maizena. Isso mesmo. Lembrei de mim, pequeno, comendo o tal biscoito de maizena. Pegava num pote um punhado e saia pela rua comendo (doido pra ninguém pedir).
Não me lembro de nada específico que tenha acontecido alguma vez que eu estivesse comendo biscoito de maizena. Apenas que comia isso e não como mais. Até uns anos atrás, meu pai mantinha um pote de biscoito de maizena. Mas eu nunca comia. Nem provava. Tinha pra mim que não gostava mais. Na verdade era birra. Era um biscoito muito simples, e depois papai deu uma melhorada nos rendimentos (ou os biscoitos baratearam) e descobri o passatempo (e biscoitos recheados) o que me levou a deixar de lado o de maizena e de água e sal. Coisa de criança. E meu papai e mamãe, sempre querendo agradar, sempre faziam a vontade dos filhinhos.
Mas não fosse a criança (uma gracinha por sinal), talvez ainda estivesse achando que não gostava do biscoito. Mas ontem me deu uma vontade de comer o danado do de maizena que estou com água na boca até agora. Minha vontade era ter pedido pra garotinha unzinho, mas lembrei de mim, que ficava torcendo pra ninguém pedir. O biscoito de maizena é bom justamente porque é simples, sem firulas. E geralmente (pelo menos comigo) são nos lugares mais simples que encontramos pessoas sem nenhuma arrogância ou prepotência, que nos acolhem sem qualquer pretensão. Nos recebem e pronto. Simples.
Estava em minha peregrinação por algumas favelas cariocas essa semana (coisa de trabalho). Nessas idas e vindas, muita coisa nova fui percebendo – o trabalho, não vem ao caso explicar, mas é mais de observação, o que me dá tempo de pensar, bater papo. Na verdade, acabei vendo muita coisa bonita (e feia também), conversei com muita gente que nunca mais vou ver (será?), mas falaram comigo como se fosse um amigo de algum tempo. Isso é interessante nesses espaços.
Talvez esteja achando isso estranho porque me desacostumei à simpatia. Vida em cidade grande, onde é cada um por si e ninguém se conhece. E foi justamente de tempos remotos que me lembrei. Tempos da infância. Uma das coisas que mais me marcaram nesses dias de visitar as favelas foi um senhor, chamando por uma criança e dando a ela um punhado de biscoito de maizena. Isso mesmo. Lembrei de mim, pequeno, comendo o tal biscoito de maizena. Pegava num pote um punhado e saia pela rua comendo (doido pra ninguém pedir).
Não me lembro de nada específico que tenha acontecido alguma vez que eu estivesse comendo biscoito de maizena. Apenas que comia isso e não como mais. Até uns anos atrás, meu pai mantinha um pote de biscoito de maizena. Mas eu nunca comia. Nem provava. Tinha pra mim que não gostava mais. Na verdade era birra. Era um biscoito muito simples, e depois papai deu uma melhorada nos rendimentos (ou os biscoitos baratearam) e descobri o passatempo (e biscoitos recheados) o que me levou a deixar de lado o de maizena e de água e sal. Coisa de criança. E meu papai e mamãe, sempre querendo agradar, sempre faziam a vontade dos filhinhos.
Mas não fosse a criança (uma gracinha por sinal), talvez ainda estivesse achando que não gostava do biscoito. Mas ontem me deu uma vontade de comer o danado do de maizena que estou com água na boca até agora. Minha vontade era ter pedido pra garotinha unzinho, mas lembrei de mim, que ficava torcendo pra ninguém pedir. O biscoito de maizena é bom justamente porque é simples, sem firulas. E geralmente (pelo menos comigo) são nos lugares mais simples que encontramos pessoas sem nenhuma arrogância ou prepotência, que nos acolhem sem qualquer pretensão. Nos recebem e pronto. Simples.
MARDITA!!!!!!!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
tem que se cuidar
Falaram prum amigo meu que a vida dele num tava legal, que ele precisava se cuidar. Perguntou porquê.
– Ah, você sabe, a gente lê no seu blog o que você anda fazendo.
– Pô - argumentou - nem tudo que escrevo é verdade verdadeira gente.
– Ah, fica tranqüilo, somos amigos. Ficaram desapontado com ele. Não sei se por não aceitar que estava mal, por realmente não estar mal, ou porque falava mentira no blog e deixava eles achando que era verdade. Começou a tentar se defender.
– E você, falou que bateu a cabeça e tomou 12 pontos? Duvido, deve ter tomado só uns 2 pontinhos e fica valorizando a queda.
– 12 pontos sem contar que fiquei sem mexer o lado direito todo do corpo. (Pensou com ele, por isso que deve ser esquerdista ao extremo como é) Foi pro segundo da mesa:
– E você malandro, conta que foi preso no reveion porque tava mijando numa cabine policial. Aposto que era numa rua afastada e se bobear nem tava mijando, devia estar deitado no chão de tão bêbado. O cara levanta e mostra o boletim de ocorrência com o auto de infração, “fazendo necessidades fisiológicas em cabine de trabalho do policial militar, além de alcoolizado”, que ele anda com uma cópia no bolso para essas ocasiões.
O amigo ficava intrigado. Será que era o único que mentia? Continuou a rodada, e ainda apostou um chopp nessa, que imaginou não podia ser também verdade.
– E essa história de que levantou sonâmbulo, abriu a porta do guarda-roupa e mijou em tudo que tava dentro, acordando com sua mulher gritando seu nome (que vou omitir aqui, por fins óbvios)?.
– Ué, liga pra minha esposa que ela confirma. Perdeu um chopp, mas como todo bom apostador (na verdade bom apostador aqui é aquele que insiste em apostar até ganhar, e raramente ganha), apostou dois chopps com o próximo da fila.
– Rá, e você que falou que chegou em casa e mijou na parede da sala e sua avó gritando e você falando, peraí, peraí... Isso eu não acredito? (esqueci de contar que estavam na casa desse amigo) Surge aquela voz lá do fundo, inesperada. Era a avó. “Mijou sim, e ainda sentou no mijo depois de tão bêbado”.
Antes disso, uma amiga do meu amigo, até há pouco assaz crítica ao Big Brother, assumia que tinha virado fã do programa, que era viciante e não perdia nada. Esta nem tinha participado de toda essa conversa, porque tinha saído pra ver o BBB, era dia de “prova do líder” ou algo assim.
É, meu amigo chegou à conclusão que ele era o único que inventava historinhas no blog pessoal dele, que todos os seus amigos eram super sinceros, que sua vida era menos interessante que a dos demais (muito menos acontecimentos relevantes, ele tinha que inventar isso), mas pelo menos ficou satisfeito de, embora ninguém tenha acreditado nele, de que ele era o menos “errado” de todos, apesar das mentiras. Na verdade, ficou aliviado com as mentiras. Ficou é preocupado com os amigos, eles precisam se cuidar, essa vidinha não leva nada a ninguém...
– Ah, você sabe, a gente lê no seu blog o que você anda fazendo.
– Pô - argumentou - nem tudo que escrevo é verdade verdadeira gente.
– Ah, fica tranqüilo, somos amigos. Ficaram desapontado com ele. Não sei se por não aceitar que estava mal, por realmente não estar mal, ou porque falava mentira no blog e deixava eles achando que era verdade. Começou a tentar se defender.
– E você, falou que bateu a cabeça e tomou 12 pontos? Duvido, deve ter tomado só uns 2 pontinhos e fica valorizando a queda.
– 12 pontos sem contar que fiquei sem mexer o lado direito todo do corpo. (Pensou com ele, por isso que deve ser esquerdista ao extremo como é) Foi pro segundo da mesa:
– E você malandro, conta que foi preso no reveion porque tava mijando numa cabine policial. Aposto que era numa rua afastada e se bobear nem tava mijando, devia estar deitado no chão de tão bêbado. O cara levanta e mostra o boletim de ocorrência com o auto de infração, “fazendo necessidades fisiológicas em cabine de trabalho do policial militar, além de alcoolizado”, que ele anda com uma cópia no bolso para essas ocasiões.
O amigo ficava intrigado. Será que era o único que mentia? Continuou a rodada, e ainda apostou um chopp nessa, que imaginou não podia ser também verdade.
– E essa história de que levantou sonâmbulo, abriu a porta do guarda-roupa e mijou em tudo que tava dentro, acordando com sua mulher gritando seu nome (que vou omitir aqui, por fins óbvios)?.
– Ué, liga pra minha esposa que ela confirma. Perdeu um chopp, mas como todo bom apostador (na verdade bom apostador aqui é aquele que insiste em apostar até ganhar, e raramente ganha), apostou dois chopps com o próximo da fila.
– Rá, e você que falou que chegou em casa e mijou na parede da sala e sua avó gritando e você falando, peraí, peraí... Isso eu não acredito? (esqueci de contar que estavam na casa desse amigo) Surge aquela voz lá do fundo, inesperada. Era a avó. “Mijou sim, e ainda sentou no mijo depois de tão bêbado”.
Antes disso, uma amiga do meu amigo, até há pouco assaz crítica ao Big Brother, assumia que tinha virado fã do programa, que era viciante e não perdia nada. Esta nem tinha participado de toda essa conversa, porque tinha saído pra ver o BBB, era dia de “prova do líder” ou algo assim.
É, meu amigo chegou à conclusão que ele era o único que inventava historinhas no blog pessoal dele, que todos os seus amigos eram super sinceros, que sua vida era menos interessante que a dos demais (muito menos acontecimentos relevantes, ele tinha que inventar isso), mas pelo menos ficou satisfeito de, embora ninguém tenha acreditado nele, de que ele era o menos “errado” de todos, apesar das mentiras. Na verdade, ficou aliviado com as mentiras. Ficou é preocupado com os amigos, eles precisam se cuidar, essa vidinha não leva nada a ninguém...
Todo mundo tem que...
Todo mundo tem que ler Rubem Braga. Comer morango com chocolate. Suar muito dançando sem saber dançar. Chorar por uma partida de futebol. Beber vinho branco no calor. Ler Carlos Drummond e decorar versinhos. Sair com amigos para lugar que não iria se não fosse com os amigos. Matar uma bola impossível na sinuca. Ler um livro sentado de frente pro mar. Ter uma mala extraviada. Beber cerveja e comer fritura. Tomar banho ouvindo música alta. Atravessar uma passarela da avenida Brasil às 6 da tarde e entender o significado da palavra urbano. Brigar e fazer as pazes. Pegar ônibus errado. Fazer a coisa errada. Ler Nelson Rodrigues. Assistir o mesmo filme 5 vezes. Tomar açaí puro e gelado. Comer x-tudo depois de um dia cansativo. Ouvir música com fone na maior altura e deixar que o mundo se exploda a seu redor. Trabalhar com alguém bem mala. Escrever poemas ruins. Andar descalço. Receber beijos na nuca. Dar beijos em qualquer lugar. Usar meias coloridas. Roubar um jornal antes que sejam entregues aos assinantes. Fumar um cigarro chupando bala de hortelã. Colocar um halls de morango na boca quando o chiclete perder o doce. Ler Hemingway.
__________
Isso foi o que de melhor absorvi de uma runião chata e burocrática com gente chata e burocrática. Mentira, não eram chatos, apenas burocráticos.
Não esquecer que se não der tempo de
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Isso foi o que de melhor absorvi de uma runião chata e burocrática com gente chata e burocrática. Mentira, não eram chatos, apenas burocráticos.
A DÍVIDA PÚBLICA NÃO ACABOU!
Acúmulo de Reservas Cambiais = Farra dos Especuladores e Explosão da Dívida Interna
Rodrigo Vieira de Ávila
Economista da Campanha Auditoria Cidadã da Dívida
Rede Jubileu Sul Brasil
22/02/2008
Depois de divulgar amplamente o pagamento antecipado ao FMI, em 2005, dia 21 de fevereiro de 2008 o governo anunciou mais um suposto marco histórico: o de que os ativos do país no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais, superaram a dívida externa pública e privada. Alega o governo que esta é uma evidência da superação do problema da dívida.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que este suposto recorde não passa de manipulação estatística, originada em 2001, durante o Governo FHC, e perpetuada no governo Lula: a exclusão dos empréstimos intercompanhia (dívidas de filiais de transnacionais no Brasil com suas matrizes no exterior) do cálculo da dívida externa. Estes empréstimos dobraram em 2007, passando de US$ 20 bilhões para US$ 42 bilhões, mas são ignorados pelo governo, para que possa propalar um suposto marco histórico.
Em segundo lugar, o que está por trás deste acúmulo desenfreado de reservas cambiais? Uma verdadeira farra dos especuladores nacionais e estrangeiros, que trazem seus dólares em massa ao Brasil para comprar títulos da dívida “interna”, em busca dos juros mais altos do mundo. O resultado disto é a explosão da dívida interna, que atingiu R$ 1,4 TRILHÃO em dezembro de 2007, tendo crescido 40% em apenas 2 anos!
Em 2007, o governo federal gastou R$ 237 bilhões com juros e amortizações da dívida interna e externa (sem contar o refinanciamento, ou seja, a chamada “rolagem” da dívida), enquanto apenas gastou R$ 40 bilhões com a saúde, R$ 20 bilhões com a educação e R$ 3,5 bilhões com a Reforma Agrária. E o governo ainda tem coragem de afirmar que a dívida não é problema!
Conforme denunciado na 3ª Edição da Cartilha “ABC da Dívida” (que estará sendo lançada em breve pela Campanha Auditoria Cidadã da Dívida / Rede Jubileu Sul Brasil), a recente isenção fiscal de Imposto de Renda sobre os ganhos dos estrangeiros, o estabelecimento e a manutenção de taxas de juros altíssimas, e a total liberdade de movimentação de capitais têm gerado as condições para um verdadeiro ataque especulativo contra o Brasil. Os investidores estrangeiros trazem seus dólares para investir na Bolsa e em títulos da dívida interna, e assim forçam a desvalorização do dólar frente à moeda brasileira (o Real). Os bancos e empresas nacionais também se aproveitam disso, tomando empréstimos no exterior (mais baratos devido às baixas taxas de juros) para emprestar ao governo brasileiro, por meio da compra de títulos da dívida interna, recebendo uma fortuna em troca disso, devido às altíssimas taxas de juros do Brasil.
Não há limite algum para estas operações, e o Banco Central (BC) compra estes dólares e fornece títulos da dívida interna de acordo com o fluxo de moeda estrangeira ao país. Quando recebem seus lucros e juros em reais, os investidores podem trocá-los por maior quantidade de dólares – uma vez que a moeda brasileira se valorizou – e assim cumprir seus compromissos com o exterior, tendo um lucro extra.
Em 2007, o Real se valorizou 20% frente ao dólar. Portanto, o investidor estrangeiro que no início de 2007 trouxe dólares para aplicar na dívida interna brasileira ganhou, durante o ano, 13% em média de juros, e mais 20% quando converteu seus ganhos em dólar. Portanto, em 2007, os estrangeiros ganharam uma taxa real de juros (em dólar) de mais de 30% ao ano!
Por outro lado, o Banco Central, comprando a moeda estrangeira trazida pelos especuladores, termina ficando com o mico, ou seja, o dólar, que está se desvalorizando. O BC também aplica os dólares (recebidos dos investidores e exportadores) , só que em títulos do Tesouro Americano (que ajudam Bush a financiar seu déficit e suas políticas, como a invasão do Iraque), que rendem perto de um terço dos juros pagos pelo governo brasileiro pelos títulos da dívida interna. Além do mais, como o dólar está em forte desvalorização, os juros pagos pelo Tesouro Americano são, na realidade, negativos para nós.
O resultado disto tudo é um imenso prejuízo para o Banco Central: chegou a R$ 58,5 bilhões apenas de janeiro a outubro de 2007. Este prejuízo é bancado pelo Tesouro Nacional, e correspondeu ao dobro de todos os gastos federais com saúde no mesmo período. Por outro lado, os banqueiros, que se beneficiam desta manobra, não páram de bater recordes de lucro.
Portanto, este suposto marco histórico divulgado pelo governo esconde, na realidade, uma verdadeira reciclagem do velho mecanismo de espoliação da dívida externa, com uma nova máscara: o endividamento “interno”. Este mecanismo é altamente rentável aos investidores estrangeiros, uma vez que, desta forma, eles ficam imunes à desvalorização da moeda americana, recebendo seus lucros e juros em uma moeda que não pára de se fortalecer frente ao dólar.
Além do mais, quando o governo alega que possui recursos para pagar toda a dívida externa, faz uma apologia ao pagamento de uma dívida ilegítima e já paga várias vezes com o sangue e suor do povo, desde os anos 80, quando os EUA, de modo unilateral e ilegítimo, multiplicou as taxas de juros incidentes sobre a dívida externa, levando o Terceiro Mundo à recessão e ao desemprego.
Não há saída para o endividamento sem uma ampla e profunda auditoria, que quantifique quantas vezes já pagamos esta dívida e a que custo social e ambiental. Somente assim poderemos nos libertar dessa amarra que continua nos aprisionando, apesar do governo prosseguir em sua manobra diversionista, tentando sistematicamente, através da divulgação de dados manipulados e parciais, desqualificar os movimentos sociais em favor da auditoria da dívida, na tentativa de esconder que o endividamento continua sendo, cada vez mais, o centro dos problemas nacionais.
Acúmulo de Reservas Cambiais = Farra dos Especuladores e Explosão da Dívida Interna
Rodrigo Vieira de Ávila
Economista da Campanha Auditoria Cidadã da Dívida
Rede Jubileu Sul Brasil
22/02/2008
Depois de divulgar amplamente o pagamento antecipado ao FMI, em 2005, dia 21 de fevereiro de 2008 o governo anunciou mais um suposto marco histórico: o de que os ativos do país no exterior, constituídos fundamentalmente pelas reservas internacionais, superaram a dívida externa pública e privada. Alega o governo que esta é uma evidência da superação do problema da dívida.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que este suposto recorde não passa de manipulação estatística, originada em 2001, durante o Governo FHC, e perpetuada no governo Lula: a exclusão dos empréstimos intercompanhia (dívidas de filiais de transnacionais no Brasil com suas matrizes no exterior) do cálculo da dívida externa. Estes empréstimos dobraram em 2007, passando de US$ 20 bilhões para US$ 42 bilhões, mas são ignorados pelo governo, para que possa propalar um suposto marco histórico.
Em segundo lugar, o que está por trás deste acúmulo desenfreado de reservas cambiais? Uma verdadeira farra dos especuladores nacionais e estrangeiros, que trazem seus dólares em massa ao Brasil para comprar títulos da dívida “interna”, em busca dos juros mais altos do mundo. O resultado disto é a explosão da dívida interna, que atingiu R$ 1,4 TRILHÃO em dezembro de 2007, tendo crescido 40% em apenas 2 anos!
Em 2007, o governo federal gastou R$ 237 bilhões com juros e amortizações da dívida interna e externa (sem contar o refinanciamento, ou seja, a chamada “rolagem” da dívida), enquanto apenas gastou R$ 40 bilhões com a saúde, R$ 20 bilhões com a educação e R$ 3,5 bilhões com a Reforma Agrária. E o governo ainda tem coragem de afirmar que a dívida não é problema!
Conforme denunciado na 3ª Edição da Cartilha “ABC da Dívida” (que estará sendo lançada em breve pela Campanha Auditoria Cidadã da Dívida / Rede Jubileu Sul Brasil), a recente isenção fiscal de Imposto de Renda sobre os ganhos dos estrangeiros, o estabelecimento e a manutenção de taxas de juros altíssimas, e a total liberdade de movimentação de capitais têm gerado as condições para um verdadeiro ataque especulativo contra o Brasil. Os investidores estrangeiros trazem seus dólares para investir na Bolsa e em títulos da dívida interna, e assim forçam a desvalorização do dólar frente à moeda brasileira (o Real). Os bancos e empresas nacionais também se aproveitam disso, tomando empréstimos no exterior (mais baratos devido às baixas taxas de juros) para emprestar ao governo brasileiro, por meio da compra de títulos da dívida interna, recebendo uma fortuna em troca disso, devido às altíssimas taxas de juros do Brasil.
Não há limite algum para estas operações, e o Banco Central (BC) compra estes dólares e fornece títulos da dívida interna de acordo com o fluxo de moeda estrangeira ao país. Quando recebem seus lucros e juros em reais, os investidores podem trocá-los por maior quantidade de dólares – uma vez que a moeda brasileira se valorizou – e assim cumprir seus compromissos com o exterior, tendo um lucro extra.
Em 2007, o Real se valorizou 20% frente ao dólar. Portanto, o investidor estrangeiro que no início de 2007 trouxe dólares para aplicar na dívida interna brasileira ganhou, durante o ano, 13% em média de juros, e mais 20% quando converteu seus ganhos em dólar. Portanto, em 2007, os estrangeiros ganharam uma taxa real de juros (em dólar) de mais de 30% ao ano!
Por outro lado, o Banco Central, comprando a moeda estrangeira trazida pelos especuladores, termina ficando com o mico, ou seja, o dólar, que está se desvalorizando. O BC também aplica os dólares (recebidos dos investidores e exportadores) , só que em títulos do Tesouro Americano (que ajudam Bush a financiar seu déficit e suas políticas, como a invasão do Iraque), que rendem perto de um terço dos juros pagos pelo governo brasileiro pelos títulos da dívida interna. Além do mais, como o dólar está em forte desvalorização, os juros pagos pelo Tesouro Americano são, na realidade, negativos para nós.
O resultado disto tudo é um imenso prejuízo para o Banco Central: chegou a R$ 58,5 bilhões apenas de janeiro a outubro de 2007. Este prejuízo é bancado pelo Tesouro Nacional, e correspondeu ao dobro de todos os gastos federais com saúde no mesmo período. Por outro lado, os banqueiros, que se beneficiam desta manobra, não páram de bater recordes de lucro.
Portanto, este suposto marco histórico divulgado pelo governo esconde, na realidade, uma verdadeira reciclagem do velho mecanismo de espoliação da dívida externa, com uma nova máscara: o endividamento “interno”. Este mecanismo é altamente rentável aos investidores estrangeiros, uma vez que, desta forma, eles ficam imunes à desvalorização da moeda americana, recebendo seus lucros e juros em uma moeda que não pára de se fortalecer frente ao dólar.
Além do mais, quando o governo alega que possui recursos para pagar toda a dívida externa, faz uma apologia ao pagamento de uma dívida ilegítima e já paga várias vezes com o sangue e suor do povo, desde os anos 80, quando os EUA, de modo unilateral e ilegítimo, multiplicou as taxas de juros incidentes sobre a dívida externa, levando o Terceiro Mundo à recessão e ao desemprego.
Não há saída para o endividamento sem uma ampla e profunda auditoria, que quantifique quantas vezes já pagamos esta dívida e a que custo social e ambiental. Somente assim poderemos nos libertar dessa amarra que continua nos aprisionando, apesar do governo prosseguir em sua manobra diversionista, tentando sistematicamente, através da divulgação de dados manipulados e parciais, desqualificar os movimentos sociais em favor da auditoria da dívida, na tentativa de esconder que o endividamento continua sendo, cada vez mais, o centro dos problemas nacionais.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Papo fora
Parecia cronometrado. Cheguei do trabalho (tarde), coloquei uma lasanha no forno (tava sem comer desde o almoço), tomei uma chuveirada (tava precisando!), saí do banho (lógico), tirei a lasanha do forno (praticamente pronta, mas não dava pra esperar até o totalmente), passei prum prato e pensei: "vou ligar a TV". Antes lembrei que ela não está funcionando direito. Mas insisti e arrisquei (tem mais de quatro meses que ela está com problema, mas vira e mexe ela liga, apesar duma faísca que sai de sua traseira e de um barulho - que deixa de incomodar se aumentar o volume). A danada ligou. E o que estava começando no exato momento em que liguei? Rá, Big Brother - "está començando mais um Big Brother, e hoje é dia de trilogia". Pensei comigo, se alguém entra vai pensar que fiz tudo cronometrado (será meu subconsciente?). Entre as opções de canais, fui passando, antes de continuar no Big. Rede TV, com um pessoal de auditório com as mãos para cima. Passei. Band, intervalo. A próxima, não sei o canal, mas um programa religioso, por isso nem procurei saber o canal. Depois paro na Record e uma novela. Um cara no bar, vem uma morena com a coxa grossa, pergunta se ele está pagando. Ele diz que sim. Pelos olhares trocados me empolguei em continuar assistindo. Aí ele paga o lanche e levanta. Boiola, pensei. Ficaram as coxas e deu intervalo. Outro canal, SBT no jornal. Cansado hoje, num queria saber de notícia. Deu pra ver que desabou um prédio no centro do Rio, coisa de vazamento de gás. Amanhã me informo, se necessário. Caí na Globo de novo. Vejo o "nosso repórter metido a poeta, ex-marido de atriz-ladra-mulher-que ama-demais, nosso irrefutável porta-voz da mediocridade, Pedro Bial" (aspas para Bodvéi). E não é que de cara escuto a seguinte frase: "Bom, vamos agora jogar mais papo fora. Ou melhor papo dentro... da casa...". Aí num deu mais. Ou melhor, deu Ombudsman.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Para um bom bebedor, pelo menos uma por dia é o mínimo. No buteco pessoal não é diferente. Todo dia, o dono do bar serve uma história para seus clientes/leitores. Ainda tem um serviço de atendimento ao cliente, onde esses podem contribuir com sugestões ou mesmo só reclamar.
Já ia esquecendo (depois que bebo é foda!), o link é www.butecopessoal.blogspot.com.
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