segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

paulatinamente


PARADA CARDÍACA

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Paulo Leminski

Antes TARDELLI do que nunca!!!!!!! CCRRRRÉÉÉÉÉÉÉUUUUUUU!!!!!!!!!!!!

object" height="355" width="425">


BICAMPEÃO!!!!!!!! BICAMPEÃO!!!!!!!!!!

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!
VICE DE NOVO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


CHORAAAAA (CACHORRADA!!!), NÃO VOU LIGAR!!!!!!!

NÃO SABE PERDER, NÃO TORCE PORRA!!!!!!!

MEEEEEEEEEEEEENNNNNNNGGGOOOOOOOOOOO!!!!!

Não agora, sério, seus eternos injustiçados....

1º se queria a camisa do Fábio Luciano era só pedir depois do jogo, OTÁRIO!!!!!!

2º nunca vi juiz voltar atrás de marcação nenhuma, então PRA QUE RECLAMAR IGUAL UMAS BICHAS DESVAIRADAS, OTÁRIOS!!!!!!!!

3º depois do empate, o time do Botafogo parecia time de vôlei, era só chegar na área do Mengão que os otários davam peixinho forçando pênaltis... tch, tch, tch... OTÁRIOS!!!!!!!

4º Lúcio Flávio desequilibrado!!!!! Nem precisava de cartão amarelo pra ser expulso naquela entrada criminosa!!!!!! Fez valer o nome!!!!!! OTÁRIO!!!!!!!

5º Bebeto, vai tomar no cu!!!!!!! OTÁRIO!!!!!!!!!!!


Ah, eternos injustiçados, perseguidos, roubados, devolvam então o Carioca de 89 (falta de Maurício sobre Leonardo) e o Brasileiro de 95 (gol do Túlio impedido)!!!!

OTÁRIOS!!!!!!!!!

MMMMMEEEEEEEEEEENNNNNNNGGGOOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

A renúncia de Fidel Castro e as implicações para a América Latina.















Entrevista especial com Emir Sader


Aos 81 anos, sendo 49 deles no poder, Fidel Castro anunciou ontem (19/02/08) sua renúncia ao cargo de Presidente da República de Cuba. Afastado dele desde 2006, devido a complicações no seu estado de saúde, Fidel começou sua luta pela transformação da sociedade cubana bastante jovem. Depois de se graduar em Direito, pela Universidade de Havana, intensificou sua luta contra o governo cubano, denunciando as corrupções e atos ilegais cometidos pelo poder. O golpe de estado de 1952 o convenceu sobre a necessidade de buscar novas formas de ação para transformar o país. Para realizar a Revolução Cubana, em 1955 foi até os Estados Unidos em busca de apoio dos emigrantes cubanos. Com os combatentes reunidos, dirigiu-se à Sierra Maestra, onde permaneceram por dois anos à frente do Exército Rebelde Cubano. Fidel, então, guiou a tática e a estratégia da luta contra a ditadura batistiana, financiada e apoiada pelos estadunidenses. Em 8 de janeiro de 1959, marchou até Havana e consolidou a vitória da Revolução. Por mais que sofresse um embargo econômico dos Estados Unidos e, depois, com o fim do regime socialista na URSS, Fidel manteve-se a frente de Cuba até o dia 1 de agosto de 2006. Nesta data, delegou o seu cargo ao irmão, Raul Castro.

Muitos aguardavam sua renúncia, outros não esperavam por tal notícia, tanto que os maiores jornais do Brasil não noticiaram o fato em suas primeiras edições do dia. Ao povo, Fidel diz em sua carta-renúncia: "Prepará-lo para a minha ausência, psicológica e politicamente, era minha obrigação depois de tantos anos de luta. Nunca deixei de assinalar que se tratava de uma recuperação 'não isenta de riscos'. Meu desejo sempre foi de cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer”.

Para repercutir o assunto, a IHU On-Line conversou, por telefone, com o doutor em Ciências Políticas Emir Sader, que nos atendeu por telefone desde a Bolívia, onde participa de um congresso. Atualmente, Sader atua como coordenador do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais e é professor da Universidade de Oxford e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Pensando na perspectiva da esquerda latino-americana e mundial, quais são os aspectos do pensamento de Fidel que o senhor considera ainda hoje pertinentes?

Emir Sader – Pode-se falar de uma esquerda latino-americana de antes e depois de Cuba e Fidel. Ele introduziu a questão do socialismo no coração da América Latina, na vigilância dos Estados Unidos. Também introduziu questões fundamentais, como a de que apenas uma sociedade não fundada no mercado pode terminar com o analfabetismo, universalizar direitos de saúde, de educação e culturais para toda a população. Isso tudo fazendo com que um pequeno país sem grandes produtos de exportação, com baixo valor de carteira no mercado internacional, pudesse ter a projeção que teve. Essa é a posição interna. Cuba acredita que deve seguir sendo o país mais solidário do mundo, uma referência em saúde no mundo todo e o que tem mais médicos trabalhando ativamente fora do país. Isso para não falar na escola latino-americana de Medicina, que está formando as primeiras gerações de médicos pobres, provenientes inclusive do Brasil. Possui também a Operação Milagro, que é a recuperação de milhões de latino-americanos de forma gratuita. A sociedade cubana tem um grande espírito de solidariedade totalmente contraditório com o espírito mercantil que o capitalismo difunde pelo mundo afora. Então, o Fidel é um marco da história da América Latina, da história da periferia do capitalismo.

IHU On-Line – O que significa a renúncia de Fidel para a América Latina?

Emir Sader – Na verdade, a renúncia veio a partir de uma transição, pois o Fidel foi deixando aos poucos de assumir funções. A renúncia foi só uma formalização. Significa que a América Latina hoje não pode preferir Cuba. Na verdade, ela tem outros regimes que estão construindo sociedades alternativas, como Equador, Bolívia, Venezuela, e que estão na esteira, no caminho que foi plantado por Fidel. Então, a atualização dele hoje é a atualização presente, por exemplo, na ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas), em que se constrói a experiência mais avançada, aquela que o Fórum Social Mundial pregava: a de um comércio justo, em que cada país oferece o que tem e recebe o que necessita, e assim por diante. Tudo isso feito a partir desse espírito de solidariedade que contém. Então, o Fidel se retira, mas a presença do que ele sonhou é constante, ou seja, continua contemporâneo na América Latina. Esse é um final de carreira digno de quem construiu uma trajetória extraordinária.

IHU On-Line – Podemos esperar algum tipo de mudança na forma de Raul Castro conduzir a política cubana e as articulações com os outros países da América Latina?

Emir Sader – Nada significativo.

IHU On-Line – A renúncia de Fidel tem relação com a nova estrutura da esquerda na América Latina, que está sendo chamada de Nova Esquerda?

Emir Sader – Não, não tem nenhuma relação. A história específica da esquerda na América Latina não tem ligação com a renúncia de Fidel. A renúncia de Fidel representa a continuidade do sistema político mais além do seu grande líder fundador, não mais do que isso. Fidel já instruiu aqueles que irão dirigir a Revolução Cubana.

IHU On-Line – De que forma a renúncia de Fidel pode influenciar a esquerda atual que está se formando na América Latina?

Emir Sader – Fidel está fora da presidência há um ano e meio, então não tem nada para influenciar agora. O que tinha para influenciar já influenciou. O que ele sonhou já está tendo continuidade em outros governos.

IHU On-Line – Então, Cuba continua sendo um modelo socialista para a América Latina?

Emir Sader – Uma referência, não um modelo. Estão sendo construídos diversos modelos novos influenciados por Cuba, por isso é uma referência.

IHU On-Line – Qual é a sua opinião sobre a declaração de Bush de que a renúncia de Fidel deva ser um começo para a democracia cubana?

Emir Sader – O fim do governo Bush pode ser o começo para a democratização dos Estados Unidos. Eu não tenho previsão para as eleições, até porque não sou especialista, mas creio que todos os candidatos, de alguma maneira, rejeitam o governo Bush. Bush sairá do poder sozinho, como ele mesmo disse, só ele e seu cachorro, o que não é o caso do Fidel. Este sai com o apoio do povo cubano.

Não é o início do fim do socialismo. Artigo de Frei Betto
"Ilude-se quem imagina significar a renúncia de Fidel o começo do fim do socialismo em Cuba. Não há nenhum sintoma de que setores significativos da sociedade cubana aspirem o retorno ao capitalismo", escreve Frei Betto em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, 20-02-2008.

Eis o artigo.

Fidel Castro, de 81 anos, renunciou às suas funções de presidente do Conselho de Estado de Cuba e comandante-chefe da Revolução. Entregue aos cuidados de sua saúde, prefere manter-se fora das atividades de governo e participar do debate político - que sempre o encantou – por meio de seus artigos na mídia. Permanece, porém, como membro do Birô Político do Partido Comunista de Cuba.

No próximo domingo, Raúl Castro, de 77 anos, será eleito, pelos novos deputados da Assembléia Nacional, para ocupar a função de primeiro mandatário de Cuba.

Esta é a segunda vez que Fidel renuncia ao poder. A primeira ocorreu em julho de 1959, sete meses após a vitória da Revolução. Eleito primeiro-ministro, entrou em choque com o presidente Manuel Urrutia, que considerou radical as leis revolucionárias, como a reforma agrária, promulgadas pelo conselho de ministros. Para evitar um golpe de Estado, o líder cubano preferiu renunciar. O povo saiu às ruas em seu apoio. Pressionado pelas manifestações, Urrutia não teve alternativa senão deixar o poder. A presidência foi ocupada por Osvaldo Dorticós e Fidel voltou à função de primeiro-ministro.

Estive em Cuba em janeiro deste ano, para participar do Encontro Internacional sobre o Equilíbrio do Mundo, à luz do 155.º aniversário de nascimento de José Martí, figura paradigmática do país. Retornei em meados de fevereiro para outro evento internacional, o Congresso Universidade 2008, do qual participaram vários reitores de universidades brasileiras.

Nas duas ocasiões encontrei-me com Raúl Castro e outros ministros cubanos. Reuni-me também com a direção da Federação Estudantil Universitária (FEU), estudantes da Universidade de Ciências Informáticas, professores de nível básico e médio e educadores populares.

Ilude-se quem imagina significar a renúncia de Fidel o começo do fim do socialismo em Cuba. Não há nenhum sintoma de que setores significativos da sociedade cubana aspirem o retorno ao capitalismo. Nem os bispos da Igreja Católica. Exceção a uns poucos que, em nome dos direitos humanos, não se importariam que o futuro de Cuba fosse equivalente ao presente de Honduras, Guatemala ou Nicarágua. Aliás, nenhum dos que se evadiram do país prosseguiu na defesa dos direitos humanos ao inserir-se no mundo encantado do consumismo...

Cuba não é avessa a mudanças. O próprio Raúl Castro desencadeou um processo interno de críticas à Revolução, por meio das organizações de massa e dos setores profissionais. São mais de 1 milhão de sugestões ora analisadas pelo governo. Os cubanos sabem que as dificuldades são enormes, pois vivem numa quádrupla ilha: geográfica, única nação socialista do Ocidente, órfã de sua parceria com a União Soviética e bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA.

Malgrado tudo isso, o país mereceu elogios do papa João Paulo II por ocasião de sua visita, em 1998. No Índice de Desenvolvimento Humano de 2007 da ONU, o Brasil comemorou o fato de figurar em 70.º lugar. Os primeiros 70 países são considerados os melhores em qualidade de vida. Cuba, onde nada se paga pelo direito universal à saúde e educação de qualidades, figura em 51.º lugar. O país apresenta uma taxa de alfabetização de 99,8%, conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes), índice de mortalidade infantil de 5,3 por cada 1 mil nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27) e 800 mil diplomados em 67 universidades, nas quais ingressam, por ano, 606 mil estudantes.

Hoje, Cuba mantém médicos e professores atuando em mais de 100 países, incluindo o Brasil, e promove, em toda a América Latina, a Operação Milagros, para curar gratuitamente enfermidades dos olhos, e a campanha de alfabetização Yo si puedo (Sim, eu sou capaz), com resultados que convenceram o presidente Lula a adotar o método no Brasil.

Haverá, sim, mudanças em Cuba quando cessar o bloqueio dos EUA, forem libertados os cinco cubanos presos injustamente na Flórida por lutarem contra o terrorismo, e se a base naval de Guantánamo, ora utilizada como cárcere clandestino - símbolo mundial do desrespeito aos direitos humanos e civis - de supostos terroristas for devolvida.
Não se espere, contudo, que Cuba arranque das portas de Havana dois cartazes que envergonham a nós, latino-americanos, que vivemos em ilhas de opulência cercadas de miséria por todos os lados: "A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana”; "Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana".

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Será?


Se nao der pra ler, clique na imagem que ela abre maior, facilitando a leitura

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Camões


Lá do blog do Nassif:


'Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
Dor que desatina sem doer'

Camões



Ah! Camões, se vivesses hoje em dia,
Tomavas uns antipiréticos,
Uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
Consultavas a Internet
E descobririas que essas dores que sentias,
Esses calores que te abrasavam,
Essas mudanças de humor repentinas,
Esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
Mas somente falta de sexo!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

BBB - curtinhas - nem tanto

E num é que a minha amiga do ônibus (post aí embaixo, antes do Créu-rubro-negro) tinha razão? O tal pitboy saiu mesmo do BBB. Ela deve estar orguhosa, afinal dos milhões de votos que o tiraram do programa, ela é responsável por uma boa parcela. Não, eu não votei. Maaas, assisti o programa de ontem. Todinho. Notei que minha amiga tinha razão, de novo. O cara é mesmo muito machista, muito grosseiro. Teve até um quadro do programa todo dedicado a ele. Em um quadro de 1 minuto ele chamou a menina com quem tá de namorico de: mulher minha, cachorra, idiota... Mas, o melhor foi quando ele definiu as qualidades necessárias em uma mulher:

- Bunda é fundamental, peito é um plus e coxa tem que ter! [fiquei arrasada!! Pensei em entrar no chat que rola depois do programa e perguntar se....humm... pés bonitos podem ser um plus]

___________

Vocês sabem que moro num hospício né? As vezes parece um circo, mas tá mais pra hospício. Pois bem. Ontem, a diretora conversava com a paciente do quarto ao lado:

- Não foi hoje que seu Zé ficou de vir? Hoje é quarta?
- Não sei, mãe. Hoje é dia de paredão.
- É tá certo, antes de ontem foi a indicação. Ele vem amanhã então.

Hospício em sua fase temática BBB8. Mas, garanto que na época do BBB do Alemão era pior.

___________

Será que depois de 8 edições o público continua caindo no conto do vigário ou melhor, do Big God?? Gente, a edição do programa é discarada. Nem vejo, mas já posso dizer quem tá na final: o médico que parece um urso. Repara só como a câmera fecha nele em momentos importantes. Repara como ele é o cara que sabe tudo e o resto é um bando de abobado (Jean Willys [nem sei se escreve assim] fez história). Tem outras coisas, mas vou guardar minha avaliação de comunicóloga recém formada pra quando encontrar outra pessoa no ônibus, ou na fila de banco, ou no balcão da xerox que esteja afim de um bom papo. Sabe como é, não que me sentir fora do assunto como da última vez.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Ê BACALHAU, Ê BACALHAU...




CRRRÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉUUU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

DANÇA DANÇA
DANÇA DANÇA DA BUNDINHA
NO MARACANÃ
BACALHAU VIROU SARDINHA!!!!!!!!

NÃO GANHA NADA
TIME DE CUZÃO
EU SOU FLAMENGO
CAMPEÃO DO MUNDO
PENTACAMPEÃO!!!!!!!!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Mania infeliz

Ou: Amanhã é dia de paredão



Tem gente que que só dorme com uma almofada entre as pernas; tem gente que guarda tudo em saquinhos de pano, desde livro até celular; tem gente que conta os degraus ao subir e eu pego ônibus errado. Pode soar estúpido, aliás, é estúpido, mas comigo é recorrente.

Explico. Acontece que sou bastante impaciente, apressada, aperriada, agoniada. Daí, quase sempre quando tenho que pegar ônibus e estou sob pressão, ela potencializa minha agonia e acabo subindo no "bonde errado". Vamos a um exemplo: saio de casa atrasada para ir ao cinema, sei quais são os ônibus que me servem, mas nem sempre sei os que NÃO servem. Então, se passa um que eu ACHO que serve, eu entro sem pensar. Isso acontece normalmente se chego ao ponto e tem um ônibus lá. Naquela agonia, com a pressão do relógio, e o ônibus parado, penso (ou não) rápido e se achar que pode servir, entro. Nessa brincadeira já peguei ônibus expresso pra Bangu, sendo que queria ficar na metade da Avenida Brasil. Gastei 4 horas da minha vida para sair de casa, ir a Bangu e admirar a Avenida Brasil duas vezes.

Hoje, saí do trabalho apressada* para ir ao dentista. Pra piorar estava chovendo e eu não tinha guarda-chuva. Pressão dupla: o horário e a chuva. Não deu outra: cheguei no ponto, tinha um ônibus parado, o 322. Pensei rápido, li a placa do ônibus, tentei lembrar se o que me servia era o 322 ou 326 ou 327. Enquanto lembrava fui entrando, sem perguntar, claro.

Quando entrei no ônibus, me deparei com a seguinte cena: ônibus cheio, procurei um lugar, notei que havia um no banco que fica colado no cobrador. A menina sentada no banco batia um papo frenético com ele. Medo. Odeio papo com desconhecidos. Esses papos chatos de fila de banco, de ônibus ou de balcão da xerox. Sentei e logo pus em prática o primeiro passo da estratégia de quem quer fugir de papos inconvenientes. Evitei contato visual. Busquei um ponto, a catraca, e fixei meu olhar nela.

Com o olhar atento na catraca, pensei em escutar música no celular. Percebi que havia deixado o fone em casa. Então, sem ter o que fazer, me pus a admirar a catraca e pensar na morte da bezerra. Mas, foi impossível não escutar a conversa escandalosa que acontecia do meu lado. Falavam de Big Brother e do atual "paredão". Papo vai, papo vem, a garota disse que estava fazendo campanha contra um dos caras que está no "paredão". A resposta do cobrador foi:

- Mas eu pensei que a mulherada gostasse dele. Fortão, bonitão, apaixonadinho.
- Quê isso!! Ele é muito grosso. Quer mandar na mulher, que nem é dele ainda.
- Ai ai... é difícil agradar as mulheres. É por isso que eu gosto de conversar com todo tipo de mulher, faço pesquisa de mercado.

Como é? Pesquisa de mercado? Eu não aguentei. Dei uma olhadela para o tipo, apenas para recordar que a figura não justificava o papo malandro. E cometi um erro fatal: dei uma risadinha de canto de boca. Apenas a risadinha é pior do que o contato visual, porque ela significa que você está ouvindo a conversa, curtindo a conversa. Ou seja, soa quase que como um pedido pra entrar na conversa. O cobrador:

- Achou engraçado? Mas, é verdade. Eu aprendi que pra entender de mulher, tem que conversar com mulher. Então eu converso sobre tudo com a mulherada e quando quero uma, é muito mais fácil.

Concordo com a cabeça. A menina toma o turno da conversa:

- Cara, homem é foda né? Me diz, tu também não acha que o Fernando tem que sair?
- [não dava pra eu pular a janela, então entrei no papo] Olha, eu não tenho visto muito essa edição, trabalho e tal, mas...
- Eu te digo como ele é... [ela contou algum episódio do tal pitbull retardado (redundância, eu sei)]
- É, se ele é tão machista assim, eu o tiraria do programa também.
- Então vota nele menina [reconsiderando pular a janela: cara de paisagem]. Olha, eu entendo seu pouco tempo, mas é rapidinho pela internet e de graça. Vota lá. Nós mulheres temos que nos unir nessas coisas.
- Voto sim. Pode deixar. [fazendo cara de choro para o cobrador voltar ao papo com a garota]

Silêncio. Como o besta do cobrador foi incapaz de falar qualquer coisa, a menina volta com todo gás:

- A mesma coisa é com eleição pro governo. Pensa bem, as pessoas não votam, votam em qualquer candidato. Não pensam que é de voto em voto que o cara ganha. Por isso que eu tô te falando, não deixa de votar. Não pode pensar assim: 'ah, é só um voto, não faz diferença'. Porque no fim, faz.

Como diria um amigo meu: 'meu Deus que não existe'!!!!! Como assim a garota transforma o Big Brother numa causa feminista? Como ela consegue fazer ligação com as eleições e superdimensionar um jogo estúpido?

- Você é boa de argumentos. Vou votar sim, pode deixar. E você, vai votar em quem? - passo a bola para o cobrador e volto meus olhos para a catraca.

Enquanto o cobrador desenvolvia sua argumentação, vi entre os ferrinhos da catraca a Avenida Rio Branco. 'Puta que me pariu. Ônibus errado' - pensei. 'Ok, desço na Carioca e pego o metrô'.

- Vocês só pensam nisso, né? É por isso que eu digo, homem faz sexo, mulher faz amor.

Antes que ela virasse o rosto buscando minha concordância, apertei o botão do ônibus. Imagina o que viria depois daquela frase original e profunda.

- Tchau gente e vamos votar, hein!

Desci e peguei outro ônibus. Sem pressão. Fiquei na chuva, atrasada 10 minutos pro dentista, na maior calma esperando o ônibus que me servia. Barulho de rua é música para meus ouvidos.

__________

* me atrasei porque fiquei escutando o podcast do Diogo Mainardi. Hilário. Engraçado como poucas coisas na vida. Eu não leio Veja, eu não leio Diogo Mainardi, eu acho Diogo Mainardi uma besta que quer causar polêmica, mas de tão ridículo e boçal ele ficou engraçado. Fazia muito tempo que não lia nada dele. Fui ouvir o podcast por conta da briga dele com Nassif que voltou à tona com a série de textos do Nassif sobre a imundice que é Veja. Gente, é muito bom. Porque no podcast ele trata de assuntos mais triviais do que na coluna e trata de linkar isso com seus temas favoritos: falar mal do governo Lula, falar mal do Brasil e exaltar o neoliberalismo. Tudo isso, decorado com boas doses de boçalidades, bem no estilo Mainardi. Vale a pena: http://veja.abril.com.br/idade/podcasts/mainardi/

Ah, o Nassif também vale: http://www.projetobr.com.br/blog/5.html

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Festival de Berlim

Vou evitar as piadas de mal gosto. Guardar minha indignação no meu coraçãozinho e dissolvê-la em chops. Afinal, o Urso de Ouro já é do Capitão Nascimento mesmo. Em tempo, discordo de Cora Rónai (como siempre): o fato do Costa-Gravas ter presidido o júri do Festival não quer dizer muita coisa não. Primeiro porque ele não faz o júri sozinho, segundo, porque mesmo cineastas brilhantes podem errar. Costa-Gravas, acredito eu, nunca esteve no Complexo do Alemão, na Rocinha ou no Borel. E não venha me dizer que o filme não tem nada a ver com a realidade, com política ou qualquer coisa...Papo pra boi dormir.

Com a palavra, Latuff:

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cotidiano II

Roda da Associação Lagoa Azul Capoeira. Toda sexta, na Lagoa. Com sorte, tem lua, pra ficar melhor ainda. Bonito de ver. Gostoso de ouvir.

Ê me leva pra Bahia
Ê leva pra Bahia

Lá tem macumba
No pé de iroco velho
Na da casa de Pai Xangô
No Axé Opô Afonjá

Ê me leva pra Bahia
Ê leva pra Bahia


Se pedir com jeitinho, eu levo...


PS: faltou dizer que a roda é da Suzana, do blog amigo e bom de ler resolviescrever