quinta-feira, 8 de maio de 2008
devaneios da madrugada
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Eu nasci para ser uma mulher boa
eu nasci para ser uma mulher boa
- faltaram peitos e bunda -
eu nasci para ser uma boa mulher
- sem saber o que venha a ser boa -
eu nasci pra ser filha de muitos pais, para minha sorte
eu nasci para ser uma boa filha, mas meus pais insistem que falta muito para isso: hei de ser mais vaidosa, arrumar um emprego e ficar mais em casa - mentira
eu nasci para ser a melhor das irmãs, pode perguntar pra ‘elas’
eu nasci para ter muitos irmãos que não são de sangue – algo parecido com os muitos pais
eu nasci para tecer teorias, várias, sobre tudo
eu nasci para gostar de falar sobre comunicação, política e futebol, ainda que, na verdade, não entenda de nenhum dos três assuntos
eu nasci para ser palmeirense e chorar na final do mundial de mil novecentos e noventa e nove, sozinha de joelho, ao ver o gol do manchester
eu nasci para chorar, apenas quando não dá pra disfarçar
eu nasci para gostar de raul seixas e acreditar na sociedade alternativa - 'faça o que tu queres pois é tudo da lei'
eu nasci gostar de ler bula de remédio e manual de instruções
eu nasci para gostar de drummond e ser surpreendida pelo leminski
eu nasci para não gostar de usar letras maiúsculas
eu nasci para dizer que se matar é covardia, assim como ser indiferente - mas se não tiver outro jeito, se mata, eu sentirei saudades
eu nasci para gostar de salgado e de suco de acerola com limão
eu nasci pra odiar cafuné, mas implorar por um carinho nas orelhas
eu nasci para gostar de cheirar cabelos e de recordar o perfume de quem eu gosto
eu nasci para não ter medo de dizer – e não cansar de me arrepender e depois desarrepender disso
eu nasci para ser dramática e piegas, fazer o que?
eu nasci para ser forte – e levar isso à risca
eu nasci para não saber dançar e fazê-lo assim mesmo
eu nasci para escutar a mesma música várias vezes, sem enjoar - e irritar os outros com isso
eu nasci pra gostar de música alta, bem alta
eu nasci para gostar de dormir com um braço embaixo do travesseiro e os pés cobertos
eu nasci para gostar de música, poemas, cerveja e bolinhos de bacalhau – se possível, tudo junto
eu nasci para cuidar de quem está ao meu redor
eu nasci para fazer jogo duro quando querem cuidar de mim
eu nasci para desconfiar
eu nasci para confiar também, claro – sempre desconfiando
eu nasci para ser contraditória
– mal das pessoas inteligentes (frase do paulo francis) -
eu nasci para ser parcial, impacinete, grosseira, longe da perfeição e não me orgulhar disso
eu nasci para que eduardo galeano tivesse mais uma jovem leitora sonhadora
eu nasci para perseguir a felicidade, incansavelmente
eu nasci para ser pouco didática – olha a impaciência –, mas generosa, o que as vezes funciona e me faz parecer legal
eu nasci para ser fria
– mentira, é uma máscara -
eu nasci para ser crítica e irônica
eu nasci para não irem com minha cara e para desconstruir isso depois
eu nasci para sentir saudades: dos amigos, das cidades, dos momentos, das gírias e das manias
eu nasci para jogar mal futebol, mas matar uma bola no peito e fazer o gol sem deixar que ela caísse, num jogo histórico em 2003 na cidade de la paz
eu nasci para ser uma baiana sem sotaque e do mundo
eu nasci para amar meus amigos e beijar, abraçar, andar de mãos dadas e dormir junto com eles
eu nasci para morrer, como todo mundo e viver como poucos
eu nasci para ter um menisco fudido e me machucar sempre que jogar futebol
eu nasci para ser míope e ao frazir a testa enxergar além do óbvio
eu nasci para tentar respeitar a todos
eu nasci para acreditar piamente que outro mundo é possível
eu nasci para reparar nos sapatos das pessoas
eu nasci para ler a primeira linha do livro do cara sentado ao lado no metrô
eu nasci para não entender saramago, sacar pouco de filosofia e ter pé atrás com cinema oriental
eu nasci para começar essa paráfrase uma e vinte e dois da madrugada do dia oito de maio de dois mil e oito, deitada na minha cama e admirando meu teto, como tantas vezes nas últimas noites
eu nasci para ter insônia
eu nasci para te impressionar, para te fazer rir e te fazer companhia quando a festa acabar e o povo partir
eu nasci para lançar uma dúvida: se foi o homem que criou deus, quem criou o homem?
eu nasci para acreditar que tudo passa e se você acha que não, eu te convenço disso
eu nasci para entender de nada e de tudo um pouco, como boa jornalista
eu nasci para reconhecer minhas limitações – esse poema não é meu, e a idéia de parafraseá-lo também não
eu nasci para ter histórias fantásticas para tudo – é só saber contar
eu nasci para admirar o jeito que o bodão escreve e tomar umas cervejas com ele
eu nasci para trabalhar com capilo, ser amiga de algumas pessoas e aguentar o daniel ( lembrem-se dani e capilo: quem entra num poema não morre nunca, dizia mário quintana)
eu nasci para sentir dor e desprezá-la
eu nasci para estar lá quando o humor acabar
eu nasci para passar por aqui e seguir para não sei onde, certa que não volto pra te contar
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Quem quiser ler o Behr, clica aqui
quarta-feira, 7 de maio de 2008
Coisas do acaso...
frase do dia
– Ela também foi uma idiota. Não pode tomar anticoncepcional e não usou camisinha!?
E viva a liberdade sexual.
terça-feira, 6 de maio de 2008
BI-CAMPEÃO!!!!! BI-CAMPEÃO!!!!!
MAMÃE EU QUERO,
MAMÃE EU QUERO,
MAMÃE EU QUERO MAMAR!!!!
DÁ A CHUPETA,
DÁ A CHUPETA,
DÁ A CHUPETA PRO BEBÊ NÃO CHORAR!!!!!!!!!
domingo, 4 de maio de 2008
Post da madrugada

É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar.
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo...
Não, cansaço não é...
É eu estar existindo
E também o mundo,
Com tudo aquilo que contém,
Como tudo aquilo que nele se desdobra
E afinal é a mesma coisa variada em cópias iguais.
sábado, 26 de abril de 2008
Troféu

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quinta-feira, 24 de abril de 2008
Ainda o Bukowski

Juro que vou parar de falar dele. Mas é que um dos contos do livro trata sobre a imprensa (o conto é maravilhoso) e aí ele assim define os jornalistas:
"Pessoal que trabalha em jornal sempre foi a escória do ramo; qualquer faxineiro que recolhe modess usado numa latrina tem mais dignidade - evidentemente".
Era um sábio esse Charles Bukowski... ah se eu tivesse lido ele antes, seria a epígrafe da minha monografia. Mas sempre há tempo...
Os doze macacos alados que não conseguem trepar sossegados e um striper da Zero Zero no meio
Acordei às 5:30 da madrugada porque a insônia que não me deixa dormir há algumas semanas só foi piorada com o lance do saque indevido em minha humilde conta bancária. Fiz hora, trabalhei, liguei pra Capilo pra falar de trabalho. Tomei um banho, peguei o livro do Bukowski que estou lendo (e adorando) e desci pro banco. Fui pronta pra guerra, pra recuperar meu dinheiro a facadas e vencer a burocracia.
Foi apenas 1 hora e meia de enfrentamento. Tive que narrar a última vez que usei o cartão e quando me dei conta do roubo, apenas 4 vezes. A primeira mulher que me atendeu era meio lenta, mas sem problemas (abaixo, leia mais sobre ela). Mau humor não combina comigo. Daí que entre uma espera e outra eu ficava lendo e chorando de rir. Adoro livros que me fazem rir.
É preciso explicar que o Bukowski é um autor atípico. O cara era um fodido na vida, alcoólatra, mulherengo e viciado em jogo. E os textos dele são sobre essa sua realidade suja. Os mais moralistas diriam que ele escreve baixaria. Pois eu ando adorando. Não a baixaria, mas o jeito escrachado, o cinismo e o humor grosseiro. Logo que cheguei ao banco, foi me dando vergonha de ler porque aquelas cadeiras de espera são bem coladas e dava bem para as pessoas do lado verem coisas como PUNHETA, MEUS BAGOS, TRÊS GALINHAS MORTAS, 12 MACACOS TREPANDO (estão assim em caixa alta no livro). Bom, mas eu tava rindo tanto que perdi a vergonha e deixei que pensasse que eu sou uma maníaca sexual carente que fica lendo contos eróticos e sujos às 10 da manhã na fila do banco.
Fiquei tão relaxada com os contos do Bukowski que quando o gerente me recebeu fui até bastante afável. Verdade seja dita, ele também foi bem simpático. Vão devolver meu dinheiro hoje mesmo. Ele viu lá que tentaram ainda gastar mais R$ 900,00. Claro que não conseguiram, não tinha limite. E viu também onde foi feita a compra que me roubaram, numa loja em Duque de Caxias. Daí ele:
- Você quer saber onde é que foi gasto?
Podia ter dito a ele que sim, pois meus capangas iriam adorar ir à Baixada reaver meu dinheiro, mas me contive e respondi apenas que não.
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Antes do gerente, tive que conversar com a tal moça meio lenta. Depois que expliquei tudo, pela primeira vez, ela abriu meu extrato no computador. Os últimos lançamentos eram meu jantar de segunda, uma compra no domingo e o roubo na terça.
- Então, é essa compra aqui que não reconheço – expliquei pra ela apontando na tela.
- Entendi. Onde foi o jantar de segunda?
- Na Parmê, esse débito de 25 – não que fosse da conta dela, mas tentei ser legal e voltei a preencher o tal formulário sobre o roubo.
- E essa ZeroZero de 80 reais?
- É meu também – respondi sem olhar pra ela.
- O que é Zero Zero?
- [eu podia mandar ela procurar na lista telefônica ou no Google, eu sei] É uma boate.
- Nossa, mas você saiu de lá no domingo às 5:20? – rindo. Fica aonde essa boate?
- Na Gávea? - pensando em mandar ela pro inferno.
- E é boa?
- Tem quem goste. Eu vou porque tenho um amigo que trabalha lá - já prevendo a próxima pergunta.
- Ele é DJ ou algo assim?
- Não, é striper.
Acabou o assunto.
