Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador vida. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 9 de julho de 2008

“Polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no mundo”

Me deparei com essa frase aí de cima na manchete do Yahoo Notícias. A primeira frase da notícia é a seguinte: “Nunca policiais fluminenses mataram tanto quanto neste ano. E se distanciaram ainda mais num ranking negativo: é a polícia que mais mata no mundo, como já mostravam dados de 2003”.

E continua falando que os 1.195 autos de resistência de 2003 já superavam todos os países que têm dados oficiais. DESDE 2003. Mas é preciso que morra alguém fora da favela pra isso virar notícia, virar manchete do Jornal Nacional, virar capa dos principais (no sentido de maior circulação) jornais.

É relevante notar que o Rio de Janeiro mata mais que os países. Eles contabilizam o Estado do Rio, mas a cidade fica com cerca de 90% dos autos de resistência. É só termos uma morte fora da favela que esses números (de pobres mortos pela polícia) viram escândalo e servem apenas para a mídia, a sociedade, o escambau, mostrar que agora (depois de cinco anos matando mais de mil pessoas por ano) o negócio está feio, e que alguma coisa precisa mudar.

Esquecem, é claro, de dizer que essa “política de enfrentamento” hoje questionada por ‘todos’ é a mesma defendida por esse ‘todos’. Se os absurdos começarem a acontecer no outro lado do túnel (CLÊ, 2008), começam a questionar a política de extermínio. Não sei se isso é bom ou ruim.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

tem que se cuidar

Falaram prum amigo meu que a vida dele num tava legal, que ele precisava se cuidar. Perguntou porquê.

– Ah, você sabe, a gente lê no seu blog o que você anda fazendo.

– Pô - argumentou - nem tudo que escrevo é verdade verdadeira gente.

– Ah, fica tranqüilo, somos amigos. Ficaram desapontado com ele. Não sei se por não aceitar que estava mal, por realmente não estar mal, ou porque falava mentira no blog e deixava eles achando que era verdade. Começou a tentar se defender.

– E você, falou que bateu a cabeça e tomou 12 pontos? Duvido, deve ter tomado só uns 2 pontinhos e fica valorizando a queda.

– 12 pontos sem contar que fiquei sem mexer o lado direito todo do corpo. (Pensou com ele, por isso que deve ser esquerdista ao extremo como é) Foi pro segundo da mesa:

– E você malandro, conta que foi preso no reveion porque tava mijando numa cabine policial. Aposto que era numa rua afastada e se bobear nem tava mijando, devia estar deitado no chão de tão bêbado. O cara levanta e mostra o boletim de ocorrência com o auto de infração, “fazendo necessidades fisiológicas em cabine de trabalho do policial militar, além de alcoolizado”, que ele anda com uma cópia no bolso para essas ocasiões.

O amigo ficava intrigado. Será que era o único que mentia? Continuou a rodada, e ainda apostou um chopp nessa, que imaginou não podia ser também verdade.

– E essa história de que levantou sonâmbulo, abriu a porta do guarda-roupa e mijou em tudo que tava dentro, acordando com sua mulher gritando seu nome (que vou omitir aqui, por fins óbvios)?.

– Ué, liga pra minha esposa que ela confirma. Perdeu um chopp, mas como todo bom apostador (na verdade bom apostador aqui é aquele que insiste em apostar até ganhar, e raramente ganha), apostou dois chopps com o próximo da fila.

– Rá, e você que falou que chegou em casa e mijou na parede da sala e sua avó gritando e você falando, peraí, peraí... Isso eu não acredito? (esqueci de contar que estavam na casa desse amigo) Surge aquela voz lá do fundo, inesperada. Era a avó. “Mijou sim, e ainda sentou no mijo depois de tão bêbado”.

Antes disso, uma amiga do meu amigo, até há pouco assaz crítica ao Big Brother, assumia que tinha virado fã do programa, que era viciante e não perdia nada. Esta nem tinha participado de toda essa conversa, porque tinha saído pra ver o BBB, era dia de “prova do líder” ou algo assim.

É, meu amigo chegou à conclusão que ele era o único que inventava historinhas no blog pessoal dele, que todos os seus amigos eram super sinceros, que sua vida era menos interessante que a dos demais (muito menos acontecimentos relevantes, ele tinha que inventar isso), mas pelo menos ficou satisfeito de, embora ninguém tenha acreditado nele, de que ele era o menos “errado” de todos, apesar das mentiras. Na verdade, ficou aliviado com as mentiras. Ficou é preocupado com os amigos, eles precisam se cuidar, essa vidinha não leva nada a ninguém...