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quarta-feira, 9 de julho de 2008

“Polícia do Rio de Janeiro é a que mais mata no mundo”

Me deparei com essa frase aí de cima na manchete do Yahoo Notícias. A primeira frase da notícia é a seguinte: “Nunca policiais fluminenses mataram tanto quanto neste ano. E se distanciaram ainda mais num ranking negativo: é a polícia que mais mata no mundo, como já mostravam dados de 2003”.

E continua falando que os 1.195 autos de resistência de 2003 já superavam todos os países que têm dados oficiais. DESDE 2003. Mas é preciso que morra alguém fora da favela pra isso virar notícia, virar manchete do Jornal Nacional, virar capa dos principais (no sentido de maior circulação) jornais.

É relevante notar que o Rio de Janeiro mata mais que os países. Eles contabilizam o Estado do Rio, mas a cidade fica com cerca de 90% dos autos de resistência. É só termos uma morte fora da favela que esses números (de pobres mortos pela polícia) viram escândalo e servem apenas para a mídia, a sociedade, o escambau, mostrar que agora (depois de cinco anos matando mais de mil pessoas por ano) o negócio está feio, e que alguma coisa precisa mudar.

Esquecem, é claro, de dizer que essa “política de enfrentamento” hoje questionada por ‘todos’ é a mesma defendida por esse ‘todos’. Se os absurdos começarem a acontecer no outro lado do túnel (CLÊ, 2008), começam a questionar a política de extermínio. Não sei se isso é bom ou ruim.

sábado, 5 de julho de 2008

não entendo

Ontem foi um dia atípico pra mim. Não trabalhei (nem em casa), não liguei o computador (só à noitinha) e fui do Rio pra Valença (isso é comum, mas não numa quinta-feira), com escala no aeroporto internacional.

Mas o mais atípico e o que me deixou mais intrigado foi quando cheguei em Valença. Era umas cinco da tarde e em frente à rodoviária (quem não conhece que me desculpe, mas não vou explicar onde fica – e também não tem necessidade para ler isso daqui) e uma pedra bate no carro. Fiquei puto, afinal o carro é novo, e jogar pedra é o caralho, vai se fuder.

Aí parei o carro, mais no impulso de dar um esporro em quem tacou a pedra, que isso num tinha graça nenhuma, que a porra do carro é novo, num tinha um arranhão e agora está como capô amassado (pouco, mas deu uma raiva danada).

Mas pra minha ingrata surpresa, quem eu imaginei que tinha tacado a pedra tinha levado a pedrada. Eram duas crianças, e quando parei o carro um gritava com o ouro que chorava. Imaginei – o mais velho está brigando com o mais novo porque ele tacou a pedra no carro. Antes fosse.

Ele estava consolando omais novo que estava com a cabeça rachada com a pedrada, se esvaziando em sangue. De onde a pedra saiu não tenho (nem eles) a menor idéia. Mas que ela existiu, existiu. O Welington que o diga.

Coloco os dois irmãos dentro do carro (Welington e Uanderson – isso mesmo, com U) e vamos pro hospital. Entra no primeiro: - é no outro. Chega no outro: - é ali do lado. Chega ali do lado: quem é o responsável. - Tomá no cú, atende a criança e depois a gente conversa.

O irmão mais velho (de 11 anos, o mais novo tem 10) fez comigo a ficha, com nome, idade, endereço. Aí tinha que avisar alguém da família. Ele ficou com medo, não queria avisar a avõ, que ficaria desesperada. Poderia falar com uma tia dele, que seria melhor. Dou o telefone, ele liga, mas fala que não chegou ainda porque o ônibus atrasou, mas estava chegando. Ele ficou com medo, porra! E eu queria que ele falasse com alguém ainda (11 anos, eu com 26, e nem sou parente da criança, estava meio desnorteado).

Aí o moleque tinha que ficar pelo menos umas duas horas em observação. Num dá pra falar que o ônibus atrasou. E pra sair precisava de um responsável. – Vamos lá buscar sua mãe, alguém, pra vir pra cá Uanderson.

Fomos. No caminho resolvi ligar pra casa dele pra pré-avisar, pra pessoa se arrumar pra ir pro hospital. Falei calmo, não falei que o corte era na cabeça. Chequei lá e tinha umas seis pessoas na porta da casa (longe, num bairro afastado do centro uns 10 km, numa rua que nem sabia que existia). Pessoal chorando e agradecendo. Eu era um herói pra eles. Devo estar sendo até agora.

Deixei ela no hospital com ele, tudo ok, tomou lá os pontos, estava mais calmo (no carro, indo pro hospital, ele gritava “não me deixa morrer, não me deixa morrer!”). Ela é tia dele. A mãe, descobri no caminho, morreu há menos de cinco meses (completa cinco meses dia 16 de julho agora), infarto do nada. Tinha pouco mais de 30 anos. A avó dos dois até hoje não se conformou com a morte da filha.

Mas falei isso tudo porque fiquei encucado. Porque cargas d´água uma pedra vai cair na cabeça de um garoto, de 10 anos, que estuda de manhã numa escola e à tarde em outra porque num tem mais a mãe pra cuidar deles, mora longe das escolas, são super pobres e simples, tem uma família que pareceu no mínimo carinhosa com eles... porque que essa criança tem que passar por esse susto (interrogação). Não sei.

PS: mais à noite liguei pra casa do Welington e estava tudo bem. Tirou raio-x, ficou sob observação durante uma hora e estava tudo ok. Foi só um susto.

PS2: porque o Word, quando você coloca PS ele muda automaticamente pra OS. OS não quer dizer nada pra mim.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

biscoito de maizena

Tem dias que são assim. Você lembra das coisas.

Estava em minha peregrinação por algumas favelas cariocas essa semana (coisa de trabalho). Nessas idas e vindas, muita coisa nova fui percebendo – o trabalho, não vem ao caso explicar, mas é mais de observação, o que me dá tempo de pensar, bater papo. Na verdade, acabei vendo muita coisa bonita (e feia também), conversei com muita gente que nunca mais vou ver (será?), mas falaram comigo como se fosse um amigo de algum tempo. Isso é interessante nesses espaços.

Talvez esteja achando isso estranho porque me desacostumei à simpatia. Vida em cidade grande, onde é cada um por si e ninguém se conhece. E foi justamente de tempos remotos que me lembrei. Tempos da infância. Uma das coisas que mais me marcaram nesses dias de visitar as favelas foi um senhor, chamando por uma criança e dando a ela um punhado de biscoito de maizena. Isso mesmo. Lembrei de mim, pequeno, comendo o tal biscoito de maizena. Pegava num pote um punhado e saia pela rua comendo (doido pra ninguém pedir).

Não me lembro de nada específico que tenha acontecido alguma vez que eu estivesse comendo biscoito de maizena. Apenas que comia isso e não como mais. Até uns anos atrás, meu pai mantinha um pote de biscoito de maizena. Mas eu nunca comia. Nem provava. Tinha pra mim que não gostava mais. Na verdade era birra. Era um biscoito muito simples, e depois papai deu uma melhorada nos rendimentos (ou os biscoitos baratearam) e descobri o passatempo (e biscoitos recheados) o que me levou a deixar de lado o de maizena e de água e sal. Coisa de criança. E meu papai e mamãe, sempre querendo agradar, sempre faziam a vontade dos filhinhos.

Mas não fosse a criança (uma gracinha por sinal), talvez ainda estivesse achando que não gostava do biscoito. Mas ontem me deu uma vontade de comer o danado do de maizena que estou com água na boca até agora. Minha vontade era ter pedido pra garotinha unzinho, mas lembrei de mim, que ficava torcendo pra ninguém pedir. O biscoito de maizena é bom justamente porque é simples, sem firulas. E geralmente (pelo menos comigo) são nos lugares mais simples que encontramos pessoas sem nenhuma arrogância ou prepotência, que nos acolhem sem qualquer pretensão. Nos recebem e pronto. Simples.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

tem que se cuidar

Falaram prum amigo meu que a vida dele num tava legal, que ele precisava se cuidar. Perguntou porquê.

– Ah, você sabe, a gente lê no seu blog o que você anda fazendo.

– Pô - argumentou - nem tudo que escrevo é verdade verdadeira gente.

– Ah, fica tranqüilo, somos amigos. Ficaram desapontado com ele. Não sei se por não aceitar que estava mal, por realmente não estar mal, ou porque falava mentira no blog e deixava eles achando que era verdade. Começou a tentar se defender.

– E você, falou que bateu a cabeça e tomou 12 pontos? Duvido, deve ter tomado só uns 2 pontinhos e fica valorizando a queda.

– 12 pontos sem contar que fiquei sem mexer o lado direito todo do corpo. (Pensou com ele, por isso que deve ser esquerdista ao extremo como é) Foi pro segundo da mesa:

– E você malandro, conta que foi preso no reveion porque tava mijando numa cabine policial. Aposto que era numa rua afastada e se bobear nem tava mijando, devia estar deitado no chão de tão bêbado. O cara levanta e mostra o boletim de ocorrência com o auto de infração, “fazendo necessidades fisiológicas em cabine de trabalho do policial militar, além de alcoolizado”, que ele anda com uma cópia no bolso para essas ocasiões.

O amigo ficava intrigado. Será que era o único que mentia? Continuou a rodada, e ainda apostou um chopp nessa, que imaginou não podia ser também verdade.

– E essa história de que levantou sonâmbulo, abriu a porta do guarda-roupa e mijou em tudo que tava dentro, acordando com sua mulher gritando seu nome (que vou omitir aqui, por fins óbvios)?.

– Ué, liga pra minha esposa que ela confirma. Perdeu um chopp, mas como todo bom apostador (na verdade bom apostador aqui é aquele que insiste em apostar até ganhar, e raramente ganha), apostou dois chopps com o próximo da fila.

– Rá, e você que falou que chegou em casa e mijou na parede da sala e sua avó gritando e você falando, peraí, peraí... Isso eu não acredito? (esqueci de contar que estavam na casa desse amigo) Surge aquela voz lá do fundo, inesperada. Era a avó. “Mijou sim, e ainda sentou no mijo depois de tão bêbado”.

Antes disso, uma amiga do meu amigo, até há pouco assaz crítica ao Big Brother, assumia que tinha virado fã do programa, que era viciante e não perdia nada. Esta nem tinha participado de toda essa conversa, porque tinha saído pra ver o BBB, era dia de “prova do líder” ou algo assim.

É, meu amigo chegou à conclusão que ele era o único que inventava historinhas no blog pessoal dele, que todos os seus amigos eram super sinceros, que sua vida era menos interessante que a dos demais (muito menos acontecimentos relevantes, ele tinha que inventar isso), mas pelo menos ficou satisfeito de, embora ninguém tenha acreditado nele, de que ele era o menos “errado” de todos, apesar das mentiras. Na verdade, ficou aliviado com as mentiras. Ficou é preocupado com os amigos, eles precisam se cuidar, essa vidinha não leva nada a ninguém...

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Papo fora

Parecia cronometrado. Cheguei do trabalho (tarde), coloquei uma lasanha no forno (tava sem comer desde o almoço), tomei uma chuveirada (tava precisando!), saí do banho (lógico), tirei a lasanha do forno (praticamente pronta, mas não dava pra esperar até o totalmente), passei prum prato e pensei: "vou ligar a TV". Antes lembrei que ela não está funcionando direito. Mas insisti e arrisquei (tem mais de quatro meses que ela está com problema, mas vira e mexe ela liga, apesar duma faísca que sai de sua traseira e de um barulho - que deixa de incomodar se aumentar o volume). A danada ligou. E o que estava começando no exato momento em que liguei? Rá, Big Brother - "está començando mais um Big Brother, e hoje é dia de trilogia". Pensei comigo, se alguém entra vai pensar que fiz tudo cronometrado (será meu subconsciente?). Entre as opções de canais, fui passando, antes de continuar no Big. Rede TV, com um pessoal de auditório com as mãos para cima. Passei. Band, intervalo. A próxima, não sei o canal, mas um programa religioso, por isso nem procurei saber o canal. Depois paro na Record e uma novela. Um cara no bar, vem uma morena com a coxa grossa, pergunta se ele está pagando. Ele diz que sim. Pelos olhares trocados me empolguei em continuar assistindo. Aí ele paga o lanche e levanta. Boiola, pensei. Ficaram as coxas e deu intervalo. Outro canal, SBT no jornal. Cansado hoje, num queria saber de notícia. Deu pra ver que desabou um prédio no centro do Rio, coisa de vazamento de gás. Amanhã me informo, se necessário. Caí na Globo de novo. Vejo o "nosso repórter metido a poeta, ex-marido de atriz-ladra-mulher-que ama-demais, nosso irrefutável porta-voz da mediocridade, Pedro Bial" (aspas para Bodvéi). E não é que de cara escuto a seguinte frase: "Bom, vamos agora jogar mais papo fora. Ou melhor papo dentro... da casa...". Aí num deu mais. Ou melhor, deu Ombudsman.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


Para um bom bebedor, pelo menos uma por dia é o mínimo. No buteco pessoal não é diferente. Todo dia, o dono do bar serve uma história para seus clientes/leitores. Ainda tem um serviço de atendimento ao cliente, onde esses podem contribuir com sugestões ou mesmo só reclamar.
Já ia esquecendo (depois que bebo é foda!), o link é www.butecopessoal.blogspot.com.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Será?


Se nao der pra ler, clique na imagem que ela abre maior, facilitando a leitura

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sala de espera, espera, espera...

Sala de espera. De médico. 10 pessoas. Além das revistas antigas, Veja e Caras, obviamente, um tal de Gabriel. Uns 5 anos. Vai dum lado pro outro, vem, te olha, faz careta. Fala, grita, chora. O pai, fica jogando no celular, com uma música talvez mais irritante que o filho. A mãe, fica falando “Gabriel... Gabriel.... Não passa disso.

A secretária/recepcionista, provavelmente mais impaciente que eu, entregou à mãe do Gabiru um brinquedo. Na minha época o nome era tela mágica, ou algo assim. Você rabisca/escreve/desenha e apaga com facilidade. Antes de pegar, o garoto já gritava “e meu, é meu, é meu...”. Os pais: “não, é emprestado, ... não, é emprestado”. E o moleque gritando “é meu!”. Santo saco.

Nem brincou, mas não queria devolver. A mãe foi no banheiro, o filhotinho foi atrás e desandou a bater na porta. Enchendo o saco! O pai. Ah, o pai nem deu um pause no game do celular, apenas falava: “Gabriel, ... Gabriel...”. E a bateção continuava. Isso em 15 minutos. Enfim foi chamado pra consulta. O Gabriel, eu continuei esperando. Deve ter passado na frente de muita gente, mas ninguém reclamou. Tava todo mundo querendo ele fora dali o mais rápido possível. Da sala de espera, vem o choro de dentro do consultório. Nem de lá o danado dá sossego. Pelo menos a música do jogo do celular parou, ficamos só com a voz da Ana Maria Braga na TV.

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Antes da TV tava lendo, pensando. Aí durante a bateção na porta comecei a escrever, pra não gritar com os pais da criança. Um desabafo silencioso. Aí percebi a TV e a Ana Maria, sem escutar muito bem que, ainda bem, estava baixo. Mas vi várias sandálias e o pessoal que as desenhava, explicando o processo de produção. Primeiro os caras desenhom no papel, depois fazem uma maquete na cartolina. Aí começa a produção. A alergia, meu motivo de vivenciar esse momento, continua a mesma. Mas saí mais culto, sabendo como se produz uma sandália feminina. Viva a TV

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Pela impaciência com o Gabriel, podem pensar que sou assim com todas as crianças. Maldade de vocês. Acho criança um negócio lindo. Dos outros, claro. Agora mesmo, ainda esperando, tem duas gatinhas, também de uns cinco anos cada, que estão brincando com a tela mágica deixada na cadeira pelo Gabiru. Acabaram de se conhecer e estão DIVIDINDO o brinquedo. Numa amostragem (sem qualquer critério) de 3 crianças, duas são legais. Culpa dos pais que uma não seja.

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Eu achava que já sabia tudo de sandálias mas a matéria continua. Acho que nem de produção de sandálias eu sei mais...

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Aparece o querido Gabriel novamente. Quer tomar das meninas a tela mágica. Lá vai ele: “é meu!, é meu!” e puxa o brinquedo. O pai reclama. Ele chora, deita no chão. Volta pra tomar. O pai pergunta a uma das garotinhas (num tom bem incisivo): “Num quer jogar mais não?!!”. A garotinha nem responde, mas passa pro Gabriel o brinquedo. Meio minuto e ele solta no chão a tela mágica. Sorte do pai que não sou de violência, e mais sorte ainda que é bem maior do que eu.

Mentira. Se fosse o contrário, eu mais forte, nada aconteceria...

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Mas criança é realmente legal. Até o Gabriel, depois de deixar no chão o brinquedo que foi apanhado pela garotinha, ficou lá assistindo ela desenhando. Quando saiu pra fazer um exame, ainda falou com elas “eu já estou voltando tá?”. Ou ele já é malandro, e tá pensando no futuro, ou ainda tem salvação. Os pais é que não têm mais jeito...

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Mudando (um pouco) de assunto. Porra, uma hora sentado nessa merda e não sou atendido. Tinha desistido do médico e vim por acaso. Isso porque tava marcado desde dezembro (hoje é fevereiro), desmarcaram e marcaram de novo. Daqui a pouco levanto e vou embora.

Pura pressão. Já esperei uma hora, agora fico até o fim, quero ver quem é esse médico difícil de encontrar. Vai que resolve a porra da minha alergia?

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Carái. Pra que marcar oito e meia se vai atender às 10 horas? Tá igual uns médicos de São Paulo, esses especialistas em coração. Marcam pra uma da tarde e atendem às seis da noite.

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Pelo menos serviu pra escrever. Bom tempo que não fazia isso. Mas já escrevi e não fui atendido...

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Entro na consulta. Solução é passar a faca no nariz. O danado é grande, mas por dentro é todo embolado. E ainda só resolve problema de respiração, a alergia só saberei depois de outras horas de espera...

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Dinheiro da CIA para FHC

Texto de Sebastião Nery publicado na Tribuna da Imprensa de 9 de fevereiro de 2008

"Numa noite de inverno do ano de 1969, nos escritórios da Fundação Ford, no Rio, Fernando Henrique teve uma conversa com Peter Bell, o representante da Fundação Ford no Brasil. Peter Bell se entusiasma e lhe oferece uma ajuda financeira de 145 mil dólares. Nasce o Cebrap".

Esta história, assim aparentemente inocente, era a ponta de um iceberg. Está contada na página 154 do livro "Fernando Henrique Cardoso, o Brasil do possível", da jornalista francesa Brigitte Hersant Leoni (Editora Nova Fronteira, Rio, 1997, tradução de Dora Rocha). O "inverno do ano de 1969" era fevereiro de 69.

Fundação Ford
Há menos de 60 dias, em 13 de dezembro, a ditadura havia lançado o AI-5 e jogado o País no máximo do terror do golpe de 64, desde o início financiado, comandado e sustentado pelos Estados Unidos. Centenas de novas cassações e suspensões de direitos políticos estavam sendo assinadas. As prisões, lotadas. Até Juscelino e Lacerda tinham sido presos.

E Fernando Henrique recebia da poderosa e notória Fundação Ford uma primeira parcela de 145 mil dólares para fundar o Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). O total do financiamento nunca foi revelado. Na Universidade de São Paulo, sabia-se e se dizia que o compromisso final dos americanos era de 800 mil a um milhão de dólares.

Agente da CIA
Os americanos não estavam jogando dinheiro pela janela. Fernando Henrique já tinha serviços prestados. Eles sabiam em quem estavam aplicando sua grana. Com o economista chileno Faletto, Fernando Henrique havia acabado de lançar o livro "Dependência e desenvolvimento na América Latina", em que os dois defendiam a tese de que países em desenvolvimento ou mais atrasados poderiam desenvolver-se mantendo-se dependentes de outros países mais ricos. Como os Estados Unidos.

Montado na cobertura e no dinheiro dos gringos, Fernando Henrique logo se tornou uma "personalidade internacional" e passou a dar "aulas" e fazer "conferências" em universidades norte-americanas e européias.

Era "um homem da Fundação Ford". E o que era a Fundação Ford? Uma agente da CIA, um dos braços da CIA, o serviço secreto dos EUA.

Quem pagou
Acaba de chegar às livrarias brasileiras um livro interessantíssimo, indispensável, que tira a máscara da Fundação Ford e, com ela, a de Fernando Henrique e muita gente mais: "Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura", da pesquisadora inglesa Frances Stonor Saunders (editado no Brasil pela Record, tradução de Vera Ribeiro).

Quem "pagava a conta" era a CIA, quem pagou os 145 mil dólares (e os outros) entregues pela Fundação Ford a Fernando Henrique foi a CIA. Não dá para resumir em uma coluna de jornal um livro que é um terremoto. São 550 páginas documentadas, minuciosa e magistralmente escritas:
"Consistente e fascinante" ("The Washington Post"). "Um livro que é uma martelada, e que estabelece em definitivo a verdade sobre as atividades da CIA" ("Spectator"). "Uma história crucial sobre as energias comprometedoras e sobre a manipulação de toda uma era muito recente" ("The Times").

Milhões de dólares
1 - "A Fundação Farfield era uma fundação da CIA... As fundações autênticas, como a Ford, a Rockfeller, a Carnegie, eram consideradas o tipo melhor e mais plausível de disfarce para os financiamentos... permitiu que a CIA financiasse um leque aparentemente ilimitado de programas secretos de ação que afetavam grupos de jovens, sindicatos de trabalhadores, universidades, editoras e outras instituições privadas" (pág. 153).

2 - "O uso de fundações filantrópicas era a maneira mais conveniente de transferir grandes somas para projetos da CIA, sem alertar para sua origem. Em meados da década de 50, a intromissão no campo das fundações foi maciça..." (pág. 152). "A CIA e a Fundação Ford, entre outras agências, haviam montado e financiado um aparelho de intelectuais escolhidos por sua postura correta na guerra fria" (pág. 443).

3 - "A liberdade cultural não foi barata. A CIA bombeou dezenas de milhões de dólares... Ela funcionava, na verdade, como o ministério da Cultura dos Estados Unidos... com a organização sistemática de uma rede de grupos ou amigos, que trabalhavam de mãos dadas com a CIA, para proporcionar o financiamento de seus programas secretos" (pág. 147).

FHC facinho
4 - "Não conseguíamos gastar tudo. Lembro-me de ter encontrado o tesoureiro. Santo Deus, disse eu, como podemos gastar isso? Não havia limites, ninguém tinha que prestar contas. Era impressionante" (pág. 123).

5 - "Surgiu uma profusão de sucursais, não apenas na Europa (havia escritorios na Alemanha Ocidental, na Grã-Bretanha, na Suécia, na Dinamarca e na Islândia), mas também noutras regiões: no Japão, na Índia, na Argentina, no Chile, na Austrália, no Líbano, no México, no Peru, no Uruguai, na Colômbia, no Paquistão e no Brasil" (pág. 119).

6 - "A ajuda financeira teria de ser complementada por um programa concentrado de guerra cultural, numa das mais ambiciosas operações secretas da guerra fria: conquistar a intelectualidade ocidental para a proposta norte-americana" (pág. 45). Fernando Henrique foi facinho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Isso existe no Brasil?

Fazendeiros e políticos de Juína (MT) impedem visita de ativistas do Greenpeace, da OPAN (Operação Amazônia Nativa) e de jornalistas europeus à Terra Indígena Enawene Nawe. O ocorrido foi no dia 20 de agosto deste ano, há menos de três meses. Absurdo pouco é bobagem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Drogas: Diga Não!

Hoje, conversando com bodvéi, ele disse estar pensando seriamente em cancelar a assinatura do jornal O Globo. Num blog vizinho e amigo do Ombudsman, o Blog do VQ, tá lá esse texto, postado por Samir Resende. Acho que vem a calhar, e quem sabe, ajudar o amigo Bodão na sua decisão.

Por Samir Resende
Nesta semana tomei uma decisão muito importante na minha vida: resolvi abandonar as drogas. Liguei pro serviço de atendimento e cancelei a minha assinatura do jornal O Globo.

Foi uma decisão muito difícil, tenho que confessar que me habituei acordar pela manhã e ter aquele panfleto debaixo da minha porta. Mas, o que me levou a tomar tal decisão foi, além do entorpecimento diário por informações tendenciosas, o tratamento que o jornal anda dando ao processo de Reformas Constitucionais que acontece nas vizinhas Bolívia e Venezuela.

É muito escroto um país que tendo uma potencialidade imensa como o nosso ainda não tenha resolvido 10% dos seus problemas; onde os poderosos não vão presos; onde a desigualdade mata milhares de pessoas, onde a corrupção graceja; onde as diferenças são estigmatizadas; onde o leite é adulterado e onde as meninas são presas e estupradas... Mas, mais escroto ainda é querer dar palpite na vida do vizinho quando nosso quintal tá todo emporcalhado.

E é isso que a inteligentzia nacional faz: arrota indignação contra as reformas que aqueles índios lá dos Andes querem fazer nas suas vidas. E o estandarte-mor desta ignomínia é a grande imprensa brasileira – personificação histriônica da imbecibilidade nacional.

Darcy Ribeiro, na sua grande obra, nos presenteia com uma concepção de Povo Brasileiro que há muito me fascina. Fruto de uma simbiose entre o ameríndio nativo, o europeu ibérico e os africanos escravos, nossa ontologia ficou marcada por uma saudável mistura e à nossa gente estaria reservado um virtuoso e destacado papel ao romper da modernidade.

Acontece que a grande mídia, a comunicação hegemônica, está destruindo esta visão idílica que Darcy nos deixou de herança. Parece que o consumo contínuo das informações manipuladas entupiu as nossas idéias, como um THC ideológico que se aloja no cérebro e nos torna subservientes e abobados. Taí a “produção cultural” da Rede Globo que não nos deixa mentir; parece que a única “cultura” que temos, nos 8,5 milhões de km2 de Brasil é aquela que se desenrola na zona sul carioca

Deixemos a Venezuela em paz! Deixemos o índio Morales numa boa! Os caras tão tentando mudar uma história de 500 anos de dominação e opressão, com instituições viciadas e massacrantes. E, em nenhum momento a sua população está de fora do processo; pelo contrário, todas as modificações constituintes passarão por referendos e plebiscitos.

Quero ver as Organizações Globos e outros jornalões fazerem a mea culpa sobre o atraso histórico que legaram ao ethos nacional. Quero ver a mídia ir além de apontar as nossas cagadas, mas sim denunciar o motivo da nossa dor de barriga. Apontar o que tá errado é fácil, o difícil é denunciar a razão. E uma coisa eu tenho certeza: a culpa é do sistema que escolhemos! Então, se outro mundo é possível, deixe o coronel perguntar ao seu povo se é isto que eles querem, catzo! E viva Bolívar!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Capitão Nascimento de São Paulo

Quinta-feira à noite. Cidade de São Paulo, boate Vegas, rua Augusta. O distrito policial é o 4º, localizado na Marquês de Paranaguá. Já localizados, vamos ao assunto. Uma mulher, roubada dentro da boate, pede ajuda à segurança, depois a um policial, é agredida pelo policial, vai à delegacia, não é atendida, na saída é agredida por um grupo de policiais. Um deles se autoproclama “Capitão Nascimento”. Abaixo o email detalhando os fatos.

"
Um encontro com o Capitão Nascimento na vida real
1 - Uma breve história de terror
2 - Alguns comentários sobre Tropa de Elite após meu encontro com o Capitão Nascimento
3 – Um bom conselho

1 – A história
Na semana passada, fui numa festa na rua Augusta, na região central. Quando eu estava me preparando para ir embora um sujeito simplesmente roubou meu celular da minha mão. Com uma rapidez incrível.

Com a mesma agilidade fui atrás do segurança da casa, contei o que tinha acontecido e pedi para ele fazer alguma coisa. Naquele momento não seria difícil achar o cara que roubou o celular. A casa já estava relativamente vazia e eu indiquei o lugar que ele estava.

Resumindo: o segurança não fez nada e todos (funcionários da casa) acharam melhor que eu saísse rapidamente, mesmo sem pagar. Não porque eu tinha sido roubada e eles estavam sendo generosos. Mas sim porque não queriam tumulto. (um pequeno detalhe importante: na entrada todos foram revistados – portanto, não seria nada estranho, naquele ambiente, revistar um suspeito).

Assim que eu saio, vejo um casal (que fica na porta da casa recebendo o público) e um policial.
Primeira cena de terror. Obviamente me dirigi ao policial relatando o que tinha acabado de acontecer (o roubo) e pedindo para ele me ajudar. Ele não se mexeu. Quando, então, eu perguntei se ele não ia fazer nada. Ele fez. Deu um soco na minha cara. Isso mesmo, um soco na cara de uma mulher, em plena rua Augusta, na frente de várias pessoas (testemunhas). Fiquei tão perplexa que nem senti dor. Só percebi a força do soco, no dia seguinte, quando vi a marca da mão do policial na forma de uma macha roxa estampada no meu rosto.

Perguntei: você percebe o que você fez? Ele percebeu, sim. Porque deu outro murro na minha cara. Com a mesma violência.

Imediatamente atravessei a rua e entrei num táxi. Quando eu pedi para ele me levar para a Delegacia, ele falou que não podia ir, ia complicar para ele. Pedi, então, que ele me deixasse numa rua próxima da Delegacia.

Chegando na delegacia falei para o sujeito de plantão que queria fazer duas queixas: o roubo do celular e o soco do policial.

Ele me mandou esperar alertando que o delegado não tinha hora para chegar. Mas sugeriu que, se eu estava tão indignada, deveria ir a corregedoria. Resolvi ir. Ele não me deu o endereço, mas apenas algumas indicações, do tipo: pega esquerda, direita etc etc, tudo bem confuso.

Segunda cena de terror. Quando chego na rua, em frente a delegacia, encontro um grupo de policiais. Todos jovens, com a roupa engomada, cabelo curto, bem cortado (parecia um grupo de réplicas do personagem do Wagner Moura). Um deles se aproximou de mim e falou: ninguém vai denunciar um colega meu. Armou um sorriso idêntico ao do personagem do Wagner Moura, no filme Tropa de Elite. Estufou o peito e falou: “Meu nome é capitão Nascimento”. Ao mesmo tempo, apontou um spray de gás de pimenta e acionou na minha cara. Simples assim. Para alegria geral das réplicas do personagem do Wagner Moura. Todos acharam muito divertido. E riram muito!

Antes de partir para a segunda parte desse e-mail, alguns comentários:

1 – a sensação é terrível. Arde muito e por muito tempo.

2 – como o plantonista me alertou, se um dia acontecer com você, não faça nada e muito menos coloque água. Cada vez que você pisca, a dor piora. Arde ainda mais. No dia seguinte, seus olhos se transformam em duas bolas enormes.

3 – o plantonista, como um típico representante da polícia do século XX, teve como maior preocupação descobrir, sem qualquer sutileza, onde eu morava, se eu tinha parentes importantes; enfim, que tipo de poder eu tinha. Preocupação inútil. Esse tipo de “proteção” não tem valor nenhum, atualmente.

4 – antes que alguém faça uma crítica, gostaria de falar que eu nunca concordei com essa polícia que só funcionava para quem tinha influência. Faço parte da população, que acredita que a polícia deve respeitar todo mundo e não deve agir com violência com absolutamente ninguém.

2 - Alguns comentários sobre Tropa Elite após meu encontro com o Capitão Nascimento
Quando eu assisti Tropa de Elite fiquei fã do filme. Entendi que se tratava de uma crítica a uma situação de violência e tudo o mais.

Mas depois dessa experiência acho que o filme detonou uma situação terrível.

Agora, a polícia sente uma aprovação por agir com violência. Os policiais se identificam com o capitão Nascimento e se sentem heróis por serem assim. A expressão de prazer e poder do capitão Nascimento que eu conheci, pessoalmente, nunca vai sair da minha cabeça.

Certamente, antes do filme nenhum policial daria um murro na cara de uma mulher no meio da rua, com várias testemunhas ao lado. E muito menos jogaria um spray de pimenta na cara.
Esse tipo de atitude era reservada para os moradores da periferia. Era uma coisa vergonhosa, que deveria acontecer longe, escondida.

A sensação geral era de desaprovação. Ou seja, era péssimo ter uma polícia que desrespeitava quem não tinha um pequeno poder para se defender. Hoje, eu preferia mil vezes ser uma gringa assistindo Tropa de Elite.

Ver o filme, por que eu gostei, mas sem ter que viver na pele as suas conseqüências. Que obviamente não são culpa do diretor. Que pretendia justamente o contrário. Que fosse uma crítica que alertasse sobre o absurdo dessa violência. O filme funcionou como uma espécie de catarse, que liberou a violência. Portanto, cuidado. Você pode ser a próxima vítima. Hoje, quem manda na cidade é o capitão Nascimento.

3 – Um bom conselho
Se um dia você estiver andando pela região central e encontrar um senhor com cerca de 60 anos, um metro e cinqüenta de altura e uma dignidade típica dos vendedores da revista Oca (ex-pessoas de rua, que, agora, com essa revista, estão readquirindo a dignidade) cumprimente-o, ofereça uma carona, um jantar, o que for.

Esse homem, que surgiu do nada, ficou cerca de 2 horas ao meu lado, me apoiando, me ouvindo, conversando e cuidando de mim.

Esteja certo que se você precisar – e parece que nesses tempos atuais, não será nada impossível que você precise – ele ficará do seu lado. O tempo que você precisar.Gostaria muito de reencontrar esse homem.

Naquela hora ele foi tudo para mim. Imagine só a minha situação. Para quem eu ia telefonar? Pros meus pais? E falar: acabei de levar um murro de um policial? Eles ficariam arrasados e iriam imediatamente para a delegacia. E nesses tempos de Capitão Nascimento, não duvido nada que meus pais também levassem um murro na cara. Ou um jato de spray de pimenta nos olhos.
"

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Hino do Flamengo (versão em inglês)

http://www.youtube.com/watch?v=7irfMS2L_Q8

Veja, Che e Polêmica

Recentemente agora (se é recente, é por agora, oras), rola pela internet, em blogs de jornalistas, uma polêmica que envolve nossa querida (?) Veja, revista semanal de maior tiragem no Brasil. Diogo Schelp, jornalista da revista, escreve uma matéria sobre Che Guevara, e se baseia bastante em um livro de Jon Lee Anderson, repórter da revista New Yorker e autor do livro “Che Guevara, uma Biografia”.

O repórter estadunidense diz que respondeu foi procurado para uma entrevista durante a apuração, feita por email pelo repórter brasileiro. O brasileiro diz que não recebeu, que deve ter sido encaminhada como spam por seu email (do jornalista da Veja). Mas na sua carta resposta à Jon Lee, disse que o mesmo tem o telefone dele (o que me faz crer que ele tambémtem o telefone do jornalista dos Estados Unidos, o que me parece ser, no mínimo, apuração mal feita). O livro de Jon Lee é citado na matéria da Veja como “a mais completa biografia de Che”. Abaixo reproduzo a carta, após a veiculação da matéria, de Jon Lee Anderson (enviada para a revista Veja e para alguns jornalistas brasileiros, no dia 23 de outubro), e abaixo a réplica do Diogo Schelp. Os emails foram veiculados no blog de Pedro Dória (de Jon Lee, no dia 12/11)) e de Reinaldo Azevedo (resposta de Diogo Schelp, no dia 14/11).

Carta de Jon Lee Anderson

Caro Diogo,

Fiquei intrigado quando você não me procurou após eu responder seu email. Aí me passaram sua reportagem em Veja, que foi a mais parcial análise de uma figura política contemporânea que li em muito tempo. Foi justamente este tipo de reportagem hiper editorializada, ou uma hagiografia ou – como é o seu caso – uma demonização, que me fizeram escrever a biografia de Che. Tentei pôr pele e osso na figura super-mitificada de Che para compreender que tipo de pessoa ele foi. O que você escreveu foi um texto opinativo camuflado de jornalismo imparcial, coisa que evidentemente não é. Jornalismo honesto, pelos meus critérios, envolve fontes variadas e perspectivas múltiplas, uma tentativa de compreender a pessoa sobre quem se escreve no contexto em que viveu com o objetivo de educar seus leitores com ao menos um esforço de objetividade. O que você fez com Che é o equivalente a escrever sobre George W. Bush utilizando apenas o que lhe disseram Hugo Chávez e Mahmoud Ahmadinejad para sustentar seu ponto de vista. No fim das contas, estou feliz que você não tenha me entrevistado. Eu teria falado em boa fé imaginando, equivocadamente, que você se tratava de um jornalista sério, um companheiro de profissão honesto. Ao presumir isto, eu estaria errado. Esteja à vontade para publicar esta carta em Veja, se for seu desejo.

Cordialmente,
Jon Lee Anderson.

Resposta de Schelp

Caro Anderson,

Eu fiquei me perguntando, depois de lhe enviar um e-mail pedindo (educadamente) uma entrevista, por que nunca recebi uma resposta sua. Agora sei que a mensagem deve ter-se perdido devido a algum programa antispam ou por qualquer outra questão tecnológica. Também não recebi sua “carta” – talvez pelo mesmo problema. Tudo isso não tem a menor importância agora porque você resolveu o assunto valendo-se dos meios mais baixos – um e-mail circular. O que lhe fez pensar que tinha o direito de tornar pública nossa correspondência, incluindo a mensagem em que eu (educadamente) pedia uma entrevista? Isso, caro Anderson, é antiético. Vindo de alguém que se diz um jornalista, é surpreendente. Você pode não gostar da reportagem que escrevi; ela pode ser boa ou ruim, bem-escrita ou não, editorializada ou não – mas não foi feita com os métodos antiéticos que você usa. Eu respeito a relação entre jornalistas e fontes. Você não. E mais: parece-me agora que você é daquele tipo de jornalista que tem medo de fazer uma ligação telefônica (assim são os maus jornalistas), já que tem meu cartão de visita e conhece meu número de telefone. Se você tinha algo a dizer sobre a reportagem — e já que sua mensagem não estava chegando a seu destino — poderia ter me ligado.

Eu não sei que tipo de imagem de si mesmo você quer criar (ou proteger) negando os fatos que o seu próprio livro mostra, mas está claro agora que é a de alguém sem ética. Você pode ficar certo de que não aparecerá mais nas páginas desta revista.

Sem mais,

Diogo Schelp

Veja a matéria da Veja
http://veja.abril.com.br/031007/p_082.shtml

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

"Aborto para conter a violência". Aaahhh, tá difícil...

Não faltam mesmo motivos para indignação. Mais uma pérola desse desgoverno em relação à segurança pública.

Do site do G1:


O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), 44 anos, propõe a legalização do aborto como forma de conter a violência no Rio de Janeiro.

Em entrevista ao G1 na última segunda (22), ele se valeu das teses dos autores de "Freakonomics", livro dos norte-americanos Steven Levitt e Stephen J. Dubner, que estabelece relação entre a legalização do aborto e a redução da violência nos EUA.

"Tem tudo a ver com violência. Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal", declarou.

Para o governador, os confrontos com criminosos nas favelas do Rio só vão terminar "quando a ordem pública puder chegar através de várias maneiras, dentre elas com o policial podendo andar fardado em qualquer lugar".

"Enquanto isso não for realidade, continuará havendo confronto. Isso gera morte", declarou Cabral, ao G1.

Putaqueopariu!!!

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Complementando a Clê com sua (nossa!) indignação

Ia postar um comentário, mas como não sou o Bodão, que faz comentários maiores que uma postagem, lanço aqui direto no blog (e antes que perguntem: cadê tu Capilo?)

Escutei esse comentário do seu Beltrame hoje pela manhã, via rádio CBN. Como já dito, era uma preocupação do tal a “tática” dos traficantes de levar para favelas da Zona Sul do Rio os seus “arsenais”. Lá seriam mais complicadas as ações violentas da polícia, por estarem mais "visíveis".

Aí o apresentador, Sidney Resende, complementou (não necessariamente com essas palavras que a memória aqui num é das melhores): “Embora pareça um comentário preconceituoso, isso é um fato. Copacabana tem um índice de homicídios de uma cidade européia, cinco homicídios para cada 100 mil habitantes’ (e isso não poderia mudar, porque Copacabana é ponto turístico para estrangeiros, e também porque esse índice não pode aumentar). Aí continuou o apresentador: “Além de quê um tiro nesse bairro vai ter uma repercussão muito maior pela imprensa”. Porra, isso justifica alguma coisa?

Como você, cara Clê, infelizmente também já sabia dessa “divisão regional”. Já ano passado, num seminário sobre mídia e violência no CESeC (que inclusive lança um livro sobre o tema nessa segunda 29), um jornalista que participava, repórter do grande Jornal Nacional da nossa querida rede Globo, falou, tranquilamente: “Uma morte na Lagoa ou Leblon é notícia. Em bairros pobres não. Isso é notícia e acabou – morte na Baixada [Fluminense] é comum, é corriqueiro, não interessa. Essa é a nossa realidade”.

Está aí. O preconceito vem da classe dos jornalistas (ô raça!) e do Estado (sem comentários). O nosso amigo do JN ainda falou, à época, que o compromisso do jornalista e do jornalismo é com a sociedade. E essa era a justificativa de que uma morte em bairros nobres é mais incomum, e por isso tem-se que dar um destaque maior. Estávamos em época de morte por acidente de carro de jovens na Lagoa (devia ter um mês do acidente e ainda era comentado) e da morte de sete jovens numa favela (que agora não me recordo, principalmente porque pouco foi falado – e no JN, O Globo, nada comentado).

O compromisso desses jornalistas (não vamos generalizar...) é com a sociedade que compra jornais, desses camaradas que escrevem comentários em sites do tipo “bala neles”, “mora na favela tem mais é que morrer”, “é favelado é conivente com o tráfico”, e daí pra pior. A questão é como remodelar esse modelo de comunicação. A maior parte da sociedade não é representada pela nossa mídia tradicional, não tem valor nenhum prêsse povo.

Já no artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (de 1948), lemos o seguinte: “Todo homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”.

Em relação à comunicação e à liberdade de expressão em especial, esses direitos são cada vez menos assegurados. Isso porque existem diversas dificuldades para uma comunicação livre, que vai desde burocracia (como para abrir uma rádio comunitária) como por questões financeiras (para imprimir um veículo, financiar um sítio na internet, etc.), passando naturalmente pela questão política do poder.

E aí, qualé a alternativa? É preciso pensar em novas formas de comunicação, que não dependa dessa grande mídia, já viciada e com interesses muito bem definidos. É preciso uma nova comunicação, que venha de baixo para cima, e não uma comunicação impositiva como estamos desde sempre acostumados. É preciso também uma reflexão sobre os atuais meios de comunicação para a proposição de novas iniciativas que tenham o caráter de inovar e valorizar os espaços e os saberes populares, ou seja, veículos de comunicação que tenham como principal preocupação a vida das pessoas, os direitos humanos: para que a informação seja democratizada e não tratada como simples mercadoria.

Mas uma “transformação” desse porte necessita da participação da sociedade civil, a mesma que tece comentários absurdos por sites internet a fora. Mas essa minoria que sobressai, que se dizem o senso comum, como dito, são minorias. Uma hora a paciência acaba, a exploração e desrespeito chegam no limite. Aí podemos impulsionar um verdadeiro exercício de cidadania, com participação desses moradores hoje considerados inferiores. Pra isso, temos que pensar mesmo em ações, projetos, programas, sei lá o quê, que possibilitem o acesso de todos aos bens e mensagens, pelo direito de receber, interpretar e repassar informações com suas visões de mundo, com seus olhares, com seus conceitos, ou seja, a participação democrática (mesmo!) de todos os setores sociais na construção dessa nova sociedade.

Não podemos esquecer ainda do papel da educação, que deve ser redefinida, fazendo com que seja capaz de englobar a revolução informacional, utilizando-se da mídia e neotecnologias da comunicação no ensino. Este é mais um passo importante para se ter uma noção crítica da mídia e para a produção de veículos de comunicação democráticos – em jornais experimentais, programas de rádios nas escolas, blogs, sites, vídeos. Com esse novo “ativismo”, talvez seja possível uma nova participação política, ligada à formação de aparatos cooperativos críticos de produção de comunicação, e portanto de uma nova cidade, que seja mais humana e solidária.

domingo, 23 de setembro de 2007

Esse povo que não se cansa!

Será mais uma desse povo do cansei?
(clique na foto que abre em uma janela em tamanho maior, possibilitando ler os textos que acompanham as imagens)



terça-feira, 28 de agosto de 2007

Manifesto Comunista com a ajuda dos cartoones da Disney, criado pelo o cineasta independente Jesse Drew. Passo a cita-lo: "No desenho animado clássico, a força bruta e a artilharia pesada nunca conseguem derrotar a ironia e o humor, e no fim a justiça sempre vence. Para mim, era natural ligar o meu próprio conceito infantil de subversão com uma versão mais articulada (o Manifesto Comunista de Marx e Engels)."

Legenda que falta nos segundos finais do vídeo:
"Os proletários não tem nada a perder senão sua chanceEles têm um mundo a ganharTrabalhadores do mundo, uni-vos!"

(In)segurança

Lendo mais essa triste notícia aqui abaixo, da execução de moradores de favelas no Rio, lembrei de um vídeo, feito às vésperas dos Jogos Pan-Americanos, sobre a (in)segurança pública...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007